Pitacos sobre a cena musical

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Nos últimos dias o blog tem se envolvido mais com as atividades da Sala de Leitura, mas isso não significa que não esteja antenado com o que tem acontecido de novidade na música mundial.

Sempre tendo como base o blog Popload de Lúcio Ribeiro, o blog de André Barcinski e algumas passadas d’olhos em sites americanos e ingleses algumas coisas interessantes têm surgido através de lançamentos de bandas já consagradas ou gratas surpresas que podem vingar ou desaparecer no meio do inverno rigoroso brasileiro ou no verão abafado do hemisfério norte.
Abaixo, algumas dessas constatações:

Haim – The Wire

Este trio de gatas californianas que parece se inspirar na eterna musa Tanya Donnely e seu Belly, além das passagens meio anos 80 + Stray Cats tem fôlego para ir longe. É esperar para confirmar essa sensação.

Beach House – Take Care

A Dupla de dream pop formada pela vocalista francesa Victoria Legrand e o guitarrista americano Alex Scally já não é nenhuma novidade para quem é antenado, mas a boa nova é seu show que vem ao Brasil (Cine Joia – SP) em 28 de agosto.

Arctic Monkeys – Why Do You Only Call Me When You’re High

Parece (ou é certeza?) que o Arctic Monkeys já se tornou uma banda gigante e este novo álbum de sugestivo nome já inicia boa viagem na cabeça de quem ainda acredita em inovação no Rock.

Franz Ferdinand – Right Action

Há quem já esteja enjoado de Franz Ferdinand no Brasil tamanha é sua frequência em festivais e aparições por aqui, mas deem uma olhada nesse novo disco e no hit lançado recentemente para ver se eles não têm nenhuma relevância no atual cenário mundial.

Lana del Rey – Maha Maha

Ainda preciso ouvir mais Lana del Rey para defini-la em alguma caixinha da cena pop, mas continuo achando-a influenciada pelo pop europeu dos anos 90 (tipo Morcheeba). De qualquer modo, há coisas na música dela que conseguem fazer você cantarolar bastante.

Enfim, há mais coisas acontecendo por aí, mas, aos poucos o blog irá atrás para postar tais novidades por aqui. Olhos abertos e ouvidos em alerta.

Andersen: A superação nas histórias infantis

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Christian Andersen sempre foi um contador de histórias. Nascido em Odense, 2 de Abril de 1805, Copenhague (Dinamarca) e morto em 4 de Agosto de 1875, é conhecido até hoje por seus belos contos infantis.

Andersen era filho de um sapateiro, o que levou Andersen a ter dificuldades para se educar. No entanto, seus ensaios poéticos e o conto “Criança Moribunda” garantiram-lhe um lugar no Instituto de Copenhague. Escreveu todo tipo de coisa: desde peças de teatro, canções patrióticas, contos, histórias, até os conhecidos contos de fadas, pelos quais é mundialmente reverenciado.

Entre os contos de Andersen destacam-se: O Abeto, O Patinho Feio, A Caixinha de Surpresas, Os Sapatinhos Vermelhos, O Pequeno Cláudio e o Grande Cláudio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, A Roupa Nova do Rei, A Princesa e a Ervilha, A Pequena Vendedora de Fósforos, A Polegarzinha, dentre outros.

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Publicou ainda: O Improvisador (1835), Nada como um menestrel (1837), Livro de Imagens sem Imagens (1840), O romance da minha vida (autobiografia em dois volumes, publicada inicialmente na Alemanha em 1847), mas a sua maior obra foram os contos de fadas (Eventyr og Historier, ou Histórias e Aventuras) que publicou de 1835 a 1872, onde o humor nórdico se alia a uma maneira sorridente de enxergar as coisas, e onde usa simultaneamente a base constituída por contos populares e sua característica ironia dirigida aos seus contemporâneos.

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Abaixo, um exemplo desse tino que Andersen possuía ao contar histórias por meio do conto “O Firme Soldado de Chumbo”.

“O Firme Soldado de Chumbo” (Hans Christian Andersen)

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Era uma vez vinte e cinco soldados de chumbo, todos irmãos, porque tinham sido todos feitos da mesma colher de cozinha. Tinham armas aos ombros e olhavam em frente, muito elegantes nos seus uniformes encarnados e azuis. — Soldados de chumbo! — foi a primeira coisa que ouviram neste mundo, quando levantaram a tampa da caixa onde estavam.
Um rapazinho tinha dado esse grito e batido as palmas; tinham-lhes dado como prenda de anos, e ele colocou-os em cima de uma mesa. Os soldados eram todos iguais uns aos outros — exceto um, que só tinha uma perna; fora o último a ser moldado e já não havia chumbo que chegasse. No entanto, mantinha-se de pé tão bem como os outros que tinham duas pernas, e é ele o herói desta história.

Na mesa onde os colocaram havia muitos outros brinquedos, mas aquele em que se reparava logo era um castelo de papel. Pelas suas janelinhas via-se o interior das salas. À frente havia pequenas árvores à volta de um pedaço de espelho, a fingir que era um lago. Cisnes de cera pareciam flutuar na sua superfície e olhavam para o seu reflexo. Toda a cena era um encanto, mas o mais bonito de tudo era uma menina que estava à porta; também ela era feita de papel, mas tinha uma fina saia de musselina, uma estreita fita azul cruzada nos ombros, como se fosse um xaile, presa por uma brilhante lantejoula quase do tamanho da cara. A encantadora criaturinha tinha os braços estendidos, porque era uma bailarina; tinha mesmo uma perna tão levantada que o soldado de chumbo nem conseguia vê-la; então ele pensou que ela só tinha uma perna, tal como ele.
“Ora aí está a mulher que me convém”, pensou ele. “Mas é tão importante; ela vive num castelo, e eu tenho uma caixa… e estamos vinte e cinco lá dentro! Não há espaço para ela, com certeza. Mas posso tentar conhecê-la.”

Então, deitou-se ao comprido atrás de uma caixa de rapé que estava em cima da mesa; daí podia ver bem a dançarina de papel, que continuava de pé numa só perna sem perder o equilíbrio.

Quando anoiteceu, todos os outros soldados de chumbo foram guardados na caixa e as crianças foram para a cama. Nessa altura, os brinquedos começaram a brincar; jogaram às visitas, às escolas, às batalhas e às festas. Os soldados de chumbo chocalhavam na caixa, porque também queriam brincar, mas não conseguiam levantara tampa. Os quebra-nozes davam cambalhotas e a pena da ardósia rangia a escrever; o barulho era tanto que o canário acordou e se meteu na conversa — melhor ainda, fê-lo em verso. Os dois únicos que não se mexeram foram o soldado de chumbo e a pequena bailarina; ela continuava apoiada na ponta do pé, com os braços estendidos; ele parado firmemente na sua única perna, sem nunca tirar os olhos dela.
O relógio bateu a meia-noite. Crac! — a tampa da caixa de rapé abriu-se e saltou de lá de dentro um duendezinho negro. Não havia rapé dentro da caixa — afinal era um truque, um boneco que saltava de uma caixa.
— Soldado de chumbo! — guinchou o duende. — Deixa de olhar para ela!

Mas o soldado de chumbo fingiu não ouvir.
— Muito bem, então amanhã vais ver! — disse o duende.

Quando amanheceu e as crianças se levantaram outra vez, puseram o soldado de chumbo no parapeito da janela. Pode ter sido culpa do duende, ou talvez de uma corrente de ar — seja como for, a janela abriu-se de repente, e o soldado de chumbo caiu da altura de três andares para a rua. Foi uma queda terrível! A perna apontava para cima, tinha a cabeça para baixo, e acabou por ficar com a baioneta espetada entre as pedras da calçada.

A criada e o rapazinho foram para a rua à procura dele, mas, embora quase o pisassem, não conseguiram vê-lo. Se ele tivesse gritado: “Estou aqui!”, tê-lo-iam encontrado facilmente, mas ele achou que não era um comportamento correto começar a gritar estando fardado.

Depois, começou a chover; caíam grossas pingas — era um valente aguaceiro. Quando acabou, passaram por ali dois rapazitos da rua.
— Olha! Disse um deles. — Está aqui um soldado de chumbo. Vamos metê-lo num barco.

Fizeram um barco de papel de jornal, puseram o soldado de chumbo no meio e fizeram-no deslizar pela valeta cheia de água. Lá foi ele a toda a velocidade e os dois rapazitos corriam a seu lado a bater palmas. Meu Deus, que grandes ondas havia naquela valeta, que marés! Tinha sido uma grande chuvada. O barco de papel balançava para baixo e para cima, por vezes andando às voltas, até o soldado de chumbo ficar completamente tonto. Mas manteve-se firme como sempre, sem mexer um músculo, sempre a olhar em frente e com a arma ao ombro.

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De repente, o barco entrou num túnel. Oh, como estava escuro, tão escuro como na caixa lá em casa!
“Para onde irei agora?”, pensou o soldado de chumbo. “Sim, isto deve ser obra do duende. Ah! Se ao menos a jovem estivesse aqui no barco comigo, não me importava que a escuridão fosse duas vezes maior.”

Subitamente, da sua casa no túnel, saiu uma grande ratazana da água.
— Tens passaporte? — perguntou. — Não podes entrar sem passaporte!

Mas o soldado de chumbo não disse uma palavra; limitou-se a segurar a arma ainda com mais força. O barco seguiu em frente, e, atrás dele, a ratazana, a persegui-lo. Ai! Como ela rangia os dentes e gritava para os paus e palhas que boiavam na água:
— Obriguem-no a parar! Agarrem-no! Não pagou a portagem! Não mostrou o passaporte!

Mas nada conseguia fazer parar o barco, porque a corrente era cada vez mais forte. O soldado de chumbo avistou a luz do dia no fim do túnel, mas, ao mesmo tempo, ouviu um rugido que bem podia ter assustado o homem mais valente. Imaginem! Mesmo no fim do túnel, a corrente desembocava num grande canal. Era tão terrível para ele como seria para nós um mergulho numa gigantesca queda de água.

Mas como podia ele parar? Já estava perto da beira. O barco continuou a sua corrida, e o pobre soldado de chumbo aguentou-se o mais firme possível — ninguém podia dizer que tivesse piscado um olho.

De repente, o pequeno barco rodopiou três ou quatro vezes e encheu-se de água até acima; que podia acontecer senão afundar-se?! O soldado de chumbo ficou de pé, com água até ao pescoço; o barco afundava-se cada vez mais, com o papel a ficar todo mole, até que, por fim, a água cobriu a cabeça do soldado de chumbo. Ele pensou na linda bailarina que nunca mais veria e lembrou-se da letra de uma canção:
Em frente, em frente, soldado do império!
Não receies o perigo nem o cemitério!
Depois, o barco de papel desfez-se completamente.

O soldado de chumbo caiu e foi logo engolido por um peixe.

Oh, como estava escuro na barriga do peixe! Ainda era pior do que o túnel e muito mais apertado. Mas a coragem do soldado de chumbo manteve-se inalterável; lá ficou, firme como sempre, ainda de arma ao ombro. O peixe nadava que nem um louco, virava-se e revirava-se, e depois ficou absolutamente quieto. Qualquer coisa luziu como um relâmpago — e então tudo à sua volta ficou claro como o dia e uma voz gritou:
— O soldado de chumbo!

O peixe tinha sido pescado, levado para a praça, vendido e levado para a cozinha, onde a cozinheira o cortara com uma grande faca. Pegou no soldado, segurando-o pela cintura com o polegar e o indicador, e levou-o para a sala, para que toda a família visse a extraordinária personagem que tinha viajado dentro do peixe. Mas o soldado de chumbo não se sentia nada orgulhoso. Puseram-no de pé em cima da mesa e então — bem, o mundo é assim mesmo! — ele viu que estava na mesma sala onde as suas aventuras tinham começado; lá estavam as mesmas crianças; lá estavam os mesmos brinquedos; lá estava o belo castelo de papel com a graciosa bailarina à porta. Continuava apoiada num perna, com a outra bem levantada no ar. Ah! Ela também era firme! O soldado de chumbo estava profundamente comovido; gostaria de ter chorado lágrimas de chumbo, mas isso não era comportamento de um soldado. Olhou para ela, e ela olhou para ele, mas não trocaram uma palavra.

E então aconteceu uma coisa estranha. Um dos rapazinhos pegou no soldado de chumbo e atirou-o para a lareira. Não tinha qualquer motivo para fazer isto; deve ter sido outra vez culpa do duende da caixa de rapé.

O soldado de chumbo ficou emoldurado pelas chamas. O calor era intenso, mas se vinha do lume ou do seu amor ardente ele não sabia. As suas cores brilhantes já tinham desaparecido — mas se tinham sido lavadas pela água durante a viagem ou pelo seu desgosto ninguém sabia. Olhou para a linda bailarina, e ela olhou para ele; sentiu que estava a derreter-se, mas continuou firme, de arma ao ombro. Subitamente, a porta abriu-se; uma aragem apanhou a bailarina de papel, que voo como uma sílfide direitinha à lareira e ao soldado de chumbo, que a esperava; aí se transformou numa chama e desapareceu.

O soldado também derreteu rapidamente, ficando reduzido a um montinho de chumbo; e no dia seguinte, quando a criada limpou a lareira, encontrou-o entre as cinzas — do feitio de um coraçãozinho de chumbo. E a bailarina? Dela só encontraram a lantejoula, preta como a fuligem.

Por último a demonstração da influência do autor dinamarquês através da música “A bailarina e o soldado de chumbo” inspirada na história contada acima:

Quando a Mitologia Encontra a Criatividade Humana

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A pesquisa sobre mitologia prossegue e todos os tópicos demonstrados até agora possuem importantes exemplos de como a criatividade humana auxilia na construção da cultura universal.

É por causa dessa capacidade do homem em criar que a escrita foi inventada e foi por conta desse advento que todas as outras coisas fluíram com maior rapidez em nossa história.

Aliás, é por meio da história contada passo a passo, geração a geração que podemos promover uma análise mais aprofundada de nossa evolução como sociedade e o que há em nosso meio-ambiente. É aí que a criação de mitos, lendas e todos os ensinamentos doutrinários participam ativamente de nosso dia-a-dia.

Se tomarmos como exemplos situações da atualidade perceberemos que muitas situações são retiradas dessa promoção da mitologia mundial. Os deuses, os heróis, as fadas, as batalhas homéricas e as epopeias gregas, nórdicas e orientais ajudam a humanidade na sua capacidade de se moldar e de se adaptar ao meio em que vive. Foi por conta dessas inúmeras histórias que aprendemos a viver em grupos, é através desses fatos contados de pai para filho que a barbárie não se estabeleceu na face da Terra e é conforme alguns desses preceitos que nos toleramos desde sempre.

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Pintura de Tarsila do Amaral

A vida, como um todo, passa sempre por um processo dinâmico de revolução física e mental que faz com que o homem possa se sobrepor aos outros animais e a inteligência transforma nosso planeta através da cultura e da promoção de novas criações a cada dia que passa. Se hoje temos computadores de mão, chips que armazenam milhões de dados, tudo isso só é possível por causa daquilo que foi dito logo no início desse texto. A escrita é responsável pela melhoria de toda e qualquer atividade humana: a ciência, a economia, a arte, a agricultura e até mesmo a religião e a filosofia são notáveis maneiras de perpetuar a raça humana por conta de seus registros e isso é algo que somente uma catástrofe de uma hecatombe poderia dissolver.

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Quando nos deparamos, inclusive, com as adaptações da mitologia na nossa rotina mundial dos dias atuais percebemos que isso acontece por conta da possibilidade de alcançarmos o passado por meio desse registro universal: a escrita

Para ficar num exemplo vivo e notável de que esse encontro da história, da mitologia, da capacidade nossa de contar histórias têm influência infinita e atemporal em nossas vidas um simples videogame pode realizar esse impacto num jovem de 14, 15 anos. O game God of War é sucesso mundial já há alguns anos e tem como tema principal a mitologia grega. Toda a saga encontrada no jogo empresta das lendas antigas toda a sedução de suas histórias para criar um novo mito.

O Cinema nada mais é do que uma extensão do que o Teatro sempre foi desde os tempos distantes, os e-books nada mais são do que livros digitais e as redes sociais como o Twitter e o Facebook são maneiras mais bem engendradas de reproduzir rodas de conversas.

A própria Internet se mostra como um painel de ideias que poderia ser comparada com uma Enciclopedia perfeita e completa. E a Literatura não pode ser nunca renegada ao segundo plano em nossa sociedade, pois, parte dela uma série de ideias para filmes, peças, jogos de tabuleiro e de videogame e ideias para novas revoluções e evoluções. Essa é a nossa vida, essa é a nossa história.

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O Mistério na Literatura Infantil

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A literatura infantil também é feita de sustos, também é feita de suspense, mas o clímax obtido pela angústia de saber pela próxima cena tem muito mais importância para a criança do que se imagina.

Tomemos como exemplo o conto “O Mistério da Casa Mágica” de Ariane Bomgosto: Percebemos ao fim do conto que o suspense todo que se faz ao longo do primeiro ato da história não se confirma posteriormente, mas se efetuarmos a leitura desse conto às crianças com pausas verificaremos a imaginação delas aflorando e se isso puder ser confrontado com a adição de imagens o êxito desse feito será mais empolgante. Senão, vejamos:

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O Mistério da Casa Mágica

Há muito tempo, na pequena vila de Águas Claras, todos viviam em perfeita harmonia. As crianças brincavam juntas perto do riacho e, à noite, se reuniam em frente a uma casa abandonada, no alto da colina. A casa era o mistério da vila: nunca alguém havia entrado lá. Mas Molly era muito curiosa e quando passava em frente à velha casa, dava uma espiadinha.

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Os pais diziam que lá não morava ninguém. A garota sabia que não era verdade, pois sempre sentia um cheiro gostoso saindo dali.

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Molly nunca tinha visto a dona da “casinha mágica” – como ela gostava de chamar -, até que um dia tomou coragem e bateu à porta:

– Quem é? – respondeu de dentro uma voz cansada.

– Sou eu, a Molly – disse a pequena. – Meus pais dizem que aí não mora ninguém, mas eu sei que a senhora existe e gostaria de conversar.

– Vá embora. Nenhum dos pais nunca deixará que seus filhos conheçam a minha velha casa.

– Não vou, não – retorquiu Molly. – O cheiro que vem daí é muito bom e eu estou faminta. Se abrir, posso comer um pedaço de bolo e depois eu vou embora. Ninguém vai descobrir.

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Uma velhinha com cara bondosa abriu devagar a porta. Quando a pequena Molly olhou ao redor, ficou maravilhada. Havia biscoitos em forma de coração por toda a casa, chocolate borbulhando nas panelas e umas bolachas dentro de uns potinhos. Ainda tinha mel escorrendo de dentro das vasilhas em formato de ursinhos. Mas o que mais surpreendeu Molly foram as árvores no fundo do quintal, cheinhas de frutas fresquinhas, que podiam ser tiradas do pé e saboreadas na hora.

– Por que a senhora não abre a sua casa para que todos venham aqui ver todos estes quitutes maravilhosos? – indagou Molly.

– Ah, pequena Molly, infelizmente nem todas as pessoas pensam como você. Elas acham que o ato de cozinhar por puro prazer é um pecado…

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– Pois falarei a todos que no alto deste vale existe uma pessoa com mãos de fada. E todos, crianças e adultos, virão aqui provar estas iguarias.

Molly organizou uma festa e não disse que as comidas seriam preparadas pela senhorinha misteriosa. Todos amaram as comidas: o amor dava o gosto especial aos alimentos. Desde então, sempre havia alguém na casa da senhora para aprender a arte da culinária ou simplesmente comprar alguma das delícias. E a pequena vila agora se chama “Casa Mágica”.

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Percebemos que na história acima o clímax é menos importante do que a tensão criada anteriormente a isso. Portanto, o que vale muitas vezes ao se contar uma história às crianças é desenvolver uma fixação entre o ouvinte e o contador para que a sua percepção esteja ligada à curiosidade e esta ajude na imaginação, mais imprescindível ao desenvolvimento de um bom leitor do que que outra coisa.

A imaginação é quem vai auxiliar o ouvinte a ter curiosidade e ela promove a criticidade necessária para que o leitor se desenvolva na mente da criança.

O Poder Corrompe: Como isso acontece na Mitologia e na Literatura

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A grande saga “Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien tem como meta principal a aquisição de um anel simples, pequeno, até mesmo pueril que em princípio não significa muita coisa. Ao longo da história fica claro que o detentor deste objeto brilhante é também o dono do poder da Terra Média.

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O interessante de toda a aventura do livro de Tolkien é que mesmo os mais experientes e bondosos personagens são atraídos pelo encanto do anel. É inevitável pensar na célebre frase: “o poder corrompe”. Abaixo vemos um trecho do primeiro livro da saga em que se define o poder inigualável dos anéis:

“Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu, Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores, Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono, Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono, Na Terra de Mordor onde as sombras se deitam. Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los, Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los, Na Terra de Mordor onde as sombras se deitam.”

Isso define que um dos principais temas das histórias mitológicas e de suas adaptações literárias é a busca pelo poder e o quanto ele pode ser perigoso para quem o detém.

Para ficar num exemplo simples basta visualizarmos as obras de Willian Shakespeare para verificar o assunto como um dos principais na carreira do escritor bardo.

Podemos ver isso claramente em duas peças do autor: “Hamlet” reconta a história de como o Príncipe da Dinamarca tenta vingar a morte de seu pai, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe dele. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade. Num trecho da obra verificamos toda a importância do poder em seu maior grau de complexidade tomando conta do espírito do protagonista:

“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-heranças do homem:
Morrer para dormir… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor […]”

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Em outra peça (“Macbeth”) o tema do poder aparece mais forte ainda. Macbeth é um general do exército escocês muito apre­ciado pelo seu monarca, o rei Duncan, por sua lealdade e seus préstimos guerreiros. Um dia, ele e Banquo, outro general, são abordados por três bruxas, que fazem os seguintes vaticínios: Macbeth será rei; Banquo é menos importante, mas mais pode­roso que Macbeth; e os filhos de Banquo serão reis. Macbeth não compreende as confusas palavras das aparições, mas elas calam fundo dentro de si. Ele relata o estranho encontro para a mulher, Lady Macbeth – uma das mais perfeitas vilãs da lite­ratura – que, ambiciosa, exerce seu poder sobre o marido, levando-o a cometer o gesto fatal de traição ao rei que desencadeará a tragédia dos dois e uma reviravolta na corte.

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Mas para sermos atuais na memória juvenil dos últimos dias podemos recorrer à saga de George R.R. Martin que diz muito sobre poder e o quanto a violência, a traição e a inversão de valores é utilizada a favor disso. “As Crônicas do Fogo e do Gelo” é um libelo acerca da gana do ser humano em ser poderoso e de não ligar para o que é necessário para isso acontecer. São muitos os exemplos ao longo do livro para nos mostrar esse processo de apodrecimento da alma humana em busca desse “ouro de tolo”.

O mais interessante da história é que ela não é vivida nos dias atuais, mas numa época distante e num local ermo. Isso parece ser uma maneira de demonstrar a todos o que acontece debaixo de nossos narizes tendo uma realidade diferente para nos afastar dessa sensação de nojo dos poderosos modernos.

Veja uma cena da adaptação para a TV que ganhou o nome de “Game of Thrones” e que já está em sua terceira temporada:

Começou a Flip, a festa dos livros

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Começou na última quarta-feira, com a conferência de Milton Hatoum sobre Graciliano Ramos e um show de Gilberto Gil, a Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP).

Este ano, o festival literário promete especial frisson não só pela homenagem (justa e necessária) a Graciliano Ramos, mas também por conta de alguns debates que acontecem ao longo do evento.

Já na quinta-feira houve ótima mesa de discussão com o tema “Formas da derrota”, debatido por José Luiz Passos e Paulo Scott, que teve mediação de João Gabriel de Lima. Outra discussão que deve ser deliciosa acontece na sexta-feira com foco no tema “A vida moderna em Kafka e Baudelaire” em que Roberto Calasso e Jeanne-Marie Gagnebin debatem sob a mediação de Manuel da Costa Pinto. Muita coisa boa deve surgir daí.

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No mesmo dia, há a homenagem “Uma vida no cinema” em que Nelson Pereira dos Santos fala sobre sua obra e suas adaptações literárias para o cinema. Sua amiga e colaboradora Miúcha participa do debate que tem mediação de Claudiney Ferreira.

Mas nem só de debates transcendentais vive a Flip. há muita polêmica durante a semana literária que ajuda a formar um público sedento por ouvir coisa nova e diferente do que há por aí.

Ontem, houve um debate entre os jornalistas André Barcinski e Alexandra Forbes sobre comida de grife e comida de boteco. Não vi
o debate, mas deve ter sido engraçadíssimo e interessante. Hoje, há talvez o momento mais intrigante do evento quando o cantor Lobão é entrevistado pelo mesmo Barcinski para falar do livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” que deu muito o que falar nos últimos dias. Garanto que haverá até torcida contra e a favor do artista e escritor.

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Além disso tudo, há a Flipinha (evento para as crianças), algumas festas (durante o dia e à noite), a Flipzona (blog que acompanha em tempo real o que acontece), além de todas as outras mesas dos autores e as discussões intensas em 100% delas.

Enfim, é uma overdose de literatura que não traz nenhuma contraindicação, a não ser a vontade de que ela não acabe, tamanha é a quantidade de coisa boa para ver.

Vale ficar ligado no site oficial do evento http://www.flip.org.br/, que traz informações de última hora e algumas transmissões ao vivo.

Mini-férias vêm aí!

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A partir de amanhã o blog entra em recesso por conta das férias de julho, mas não é por isso que não possa haver interação.

Caso haja alguma novidade estaremos por aqui para divulgar e para responder as perguntas e comentários de todos.

Boas férias a todos e aproveitem!!!