Porque vale a pena conhecer o FingerFingerrr

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“Banda indie paulistana fazendo sucesso no exterior”: não é mais uma novidade esse tipo de notícia nos últimos anos, pois grupos como o INKY, o Aldo the Band e tantas outras, conseguem ter acesso à gringa por conta da qualidade de seus sons e por causa da sonoridade diferenciada.

Mas o FingerFingerrr também conseguiu seu espaço na base do peito e da raça realizando ótimas apresentações no South by Southwest depois de ter lançado ano passado o esperto álbum MAR, primeiro do duo formado por Flavio Juliano (baixo, guitarra e voz) e Ricardo Cifas (bateria, teclado e voz).

O trabalho primogênito dos dois meninos saiu pelo selo Flamingo, de propriedade da cantora Tiê, tendo produção de Mario Caldato Jr., que já comandou discos de Björk, Moby e era considerado o quarto integrante do Beastie Boys, tamanha a interferência dele na atividade musical dos novaiorquinos.

É importante salientar ainda que toda a empolgação em torno da banda surge após a audição de um disco de apenas 25 minutos e dez faixas. Ou seja, os caras conseguem transmitir energia, criatividade, sinceridade e espontaneidade num espaço mínimo de tempo.

Com canções que vão do indie eletrônico ao punk, do rock de garagem ao rock mais cru e uma influência que parece puxar algo do grunge (apesar do som nitidamente mais limpo), há muito o que depreender dessa fase do duo que parece já estar se transferindo para novos rumos já que as apresentações fora do país promovem novas interpretações dessas mesmas músicas.

Desse modo, o momento do FingerFingerrr é de comemorar a expansão de seus horizontes com novos shows no estrangeiro, dessa vez na Europa, sendo que isso apenas prepara terreno para o grande show em pleno Primavera Sound na cidade de Barcelona no início do mês que vem.

Veja abaixo, alguns momentos do FingerFingerrr em vídeos promocionais do primeiro álbum deles MAR:

 


 


 

 


 

Enfim, o primeiro trailer da sétima temporada de Game of Thrones

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Sim, está chegando a hora!

Depois de muito esperar e do adiamento da nova temporada do tradicional mês de abril para o meio do ano os produtores e a HBO soltaram, enfim, o primeiro trailer oficial da sétima temporada de Game of Thrones.

Claro que há muito o que comentar sobre o que é mostrado nestes quase dois minutos. Temos Cersei traçando sua estratégia, Daenerys chegando a Westeros, Arya sozinha, muitas cenas de batalha, dragões e nada muito fácil de depreender desses próximos sete episódios.

E o que significa  Melisandre em Pedra do Dragão, crianças?

Assista e depois responda: para você, fã da série, o que se destacou para você? O que você quer saber mais a respeito dos passos seguintes? Deixe sua teoria nos comentários!

 


 

Classic Rock in Brazil: Deep Purple e Lynyrd Skynyrd confirmam datas por aqui

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O segundo semestre está recheado de show com viés mais voltado para o Classic Rock aqui no Brasil.

Além do Rock in Rio que sempre privilegia bandas consagradas para headliners a fim de manter o foco na lotação daquele dia (neste ano já estão confirmados nomes como The Who, Guns’n Roses, Bon Jovi e Aerosmisth) há também o novíssimo São Paulo Trip que é quase uma extensão do festival carioca que ainda terá, além dos já citados acima as aquisições de The Kills (único representante desse milênio), The Cult, Def Lepard e Alice Cooper.

Mas as bandas que tocam no Brasil nesse período ligadas ao rock do século passado não ficam por aí: foram-se os rumores e confirma-se as datas em torno dos shows de Deep Purple e Lynyrd Skynyrd em conjuntos em algumas regiões do país.

Quem fará a abertura das apresentações será o Tesla, também representante da antiga geração, ao contrário do ZZ Top, que havia sido mencionado por um dos integrantes do próprio Lynyrd Skynyrd anteriormente.

 


 

As datas dos shows do Deep Purple/Lynyrd Skynyrd no Brasil ficaram assim:

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12/12 – Pedreira Paulo Leminski – Curitiba

13/12 – Allianz Parque – São Paulo

15/12 – Jeunesse Arena – Rio de Janeiro

 


 

As vendas de ingressos começaram hoje através da Tickets For Fun e os valores ficaram assim:

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Curitiba

PISTA PREMIUM: R$ 290,00 (meia-entrada) R$ 580,00 (inteira)

PISTA: R$ 145,00 (meia-entrada) R$ 290,00 (inteira)

CAMAROTE: R$ 330,00 (meia-entrada) R$ 660,00 (inteira)

 


 

São Paulo

 

PISTA PREMIUM: R$ 290,00 (meia-entrada) R$ 580,00 (inteira)

PISTA: R$ 145,00 (meia-entrada) R$ 290,00 (inteira)

CADEIRA INFERIOR: R$ 195,00 (meia-entrada) R$ 390,00 (inteira)

CADEIRA SUPERIOR: R$ 130,00 (meia-entrada) R$ 260,00 (inteira)

CAMAROTE INFERIOR: — R$ 390,00 (inteira)

CAMAROTE SUPERIOR: — R$ 390,00 (inteira)

 


 

Rio de Janeiro

PISTA PREMIUM: R$ 290,00 (meia-entrada) R$ 580,00 (inteira)

PISTA: R$ 155,00 (meia-entrada) R$ 310,00 (inteira)

CADEIRA INFERIOR – CENTRAL: R$ 140,00 (meia-entrada) R$ 280,00 (inteira)

CADEIRA INFERIOR – LATERAL: R$ 175,00 (meia-entrada) R$ 350,00 (inteira)

CADEIRA SUPERIOR: R$ 125,00 (meia-entrada) R$ 250,00 (inteira)

CAMAROTE: R$ 325,00 (meia-entrada) R$ 650,00 (inteira)


Os limites da internet e do bom senso são tratados em “Cuidado com o Slenderman”

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A lenda urbana em torno do personagem aterrorizante Slenderman não tem um início tão assustador assim.

Em 2009, através de um concurso de photoshop, um usuário da WEB criou uma imagem atrás de pessoas que estavam posando para uma foto que demonstrava um homem esguio, tremendamente alto, com braços longos e rosto sem traços nem boca, nariz e olhos que usava terno perto e gravata.

Pronto, estava pronta uma das mais rápidas e devastadoras lendas urbanas dos últimos anos na internet.

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O que ocorreu é que alguns sites voltados para histórias de terror começaram a usar a imagem e outras pessoas tiveram a ideia de incluir o personagem em fotos de época e outras mídias como filmagens que imitavam o subgênero de terror Found Footage do cinema (aquela na qual supostamente alguém encontra um vídeo assustador) foram realizadas.

Claro que muitas dessas criações eram inocentes e só tinham a pretensão de assustar o amigo mais medroso, mas em 2014 algo terrível aconteceu e o mito do tal Slenderman se viu no meio de uma situação insólita.

Duas garotas esfaquearam uma amiga de escola por 19 vezes e a deixaram sangrando para a morte no meio da mata. A menina sobreviveu, um ciclista a encontrou agonizando e este chamou a polícia. Começava ali uma busca incessante na cidade de Waukesha, interior do estado do Wisconsin por essas meninas que vieram depois a ser acusadas como adultas e tinham a possibilidade de pegar até 65 anos de prisão. A vítima, felizmente, sobreviveu e o julgamento é um dos pontos importantes da trama bem costurada por Irene Taylor Brodsky, diretora do documentário.

Logo no começo da produção da HBO há inúmeros vídeos em que as meninas acusadas do delito explicaram com bastante clareza de detalhes sobre o suposto mandante do crime e falam sobre suas ameaças de matar a família de quem não o ajuda, seus tentáculos, o motivo pelo qual devora crianças e como ele constrói exércitos ao seu dispor.

Obviamente, que há a explanação durante o filme de que uma das meninas (ou até mesmo as duas) tem esquizofrenia, mas também é abordado o tamanho da encrenca que histórias como essa do Slenderman podem fazer com a cabeça de pré-adolescentes suscetíveis a esse tipo de persuasão.

A investigação filmográfica vai atrás de elementos para falar de memes, gifs e posts de sucesso que vemos todos os dias na rede social e qual o impacto deles na vida da molecada. Jogos como o da Baleia Azul ou do enforcamento que pululam vez ou outra são alguns dos exemplos de como a internet é usada como instrumento de manipulação por quem quer apenas a maldade pura e simples, mas também por quem nem se dá conta de que está lançando fogo na internet. Mesmo casos de boataria, fofoca ou a palavra da moda pós-verdade são exemplos vivos e recentes dessa questão mostrada no longa.

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Com quase duas horas de duração, há tempo suficiente para que “Cuidado com o Slenderman” fale da importância da supervisão dos pais na atividade dos filhos na rede mundial de computadores, mas é inteligente para mostrar que mesmo assim muita coisa maluca pode subverter a cabeça dos meninos e meninas. Basta ver o depoimento do pai de uma das agressoras para entender como mesmo elas (e ele próprio) são vítimas da situação.

Todo o conteúdo do filme pode ser um aliado importante para tratarmos de maneira séria e mais profunda o problema do bullying, da repressão, da depressão e até mesmo dos limites das brincadeiras e do bom senso entre as crianças e dos adultos também. A criação de amigos imaginários, de inimigos ocultos ou mesmo de coisas para fugir da realidade pode ter alguma importância em certo momento da infância, mas quando isso ultrapassa a capacidade de inferir o que é bom ou ruim pode ser perigoso ao extremo.

Num país em que o cotidiano da escola perpassa pelos problemas da sociedade como questões emocionais, psiquiátricas ou relacionais e sociais, a influência de toda sorte é passível de análise.

Inclusive, pode se perceber que a importância de estarmos alertas à nossa saúde mental e a de nossos filhos é um dos focos do filme e acaba por ser uma grande qualidade da produção feita para a tv a despreocupação em apontar culpados já que nem sempre dá para ter certeza da intencionalidade de cada um dos participantes neste tipo de processo.

Enfim, a internet não é ruim no seu âmago e a possibilidade que proporciona para toda uma geração é incrível, mas o seu uso se assemelha ao do martelo que foi inventado para pregar coisas, mas também é capaz de ferir a cabeça de alguém, basta ter a intenção de quem o segura.

O filme estreou dia 15 de Maio e está disponível na plataforma HBO GO.

 


 

Última temporada de “The Leftovers” comprova sua qualidade de texto e atuações memoráveis

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Quando foi lançado dois anos atrás a série “The Leftovers” tinha na bagagem a produção de Damon Lindelof e sua experiência com “Lost”, um roteiro adaptado do sucesso literário do autor Tom Perrota e um elenco com gente tarimbada e competente.

Porém, pouco se sabia a respeito do projeto e muitas perguntas foram sendo feitas nos primeiros capítulos da trama em sua primeira temporada que foi uma das melhores coisas de 2015.

O próprio Blog escreveu em determinado momento que o bom da série seriam seus questionamentos em detrimento de respostas desesperadas pretendidas pelos fãs.

A questão é que veio a segunda temporada ano passado e um monte de situações se avolumou na vida dos personagens e mais gente foi jogada a esse balaio de gatos transcendental que provocou nós em qualquer cérebro que se acha (ou achava) normal até então.

O resultado foi uma das melhores temporadas de série em todos os tempos.

Mas havia um problema que a série não conseguiu resolver: sua base de público não aumentou e fez com que fosse cancelada após a terceira temporada. Talvez a HBO, detentora da produção só deixou que houvesse essa última parte da série por conta do prestígio de seu idealizador e deu a ele carta branca para fazer o que quisesse para o final da história.

Obrigado, HBO! Obrigado, Damon e Tom.

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A terceira temporada que só terá oito episódios (domingo que vem será o penúltimo) brinca novamente com nosso senso de realidade, fala alto aos nossos ouvidos naquilo que queremos saber e a respeito daquilo que não desejaríamos nunca ter de enfrentar e nos entrega atuações que são dignas de Emmy para todos os lados.

Seguindo a linha de responder uma coisa aqui e ali sobre questões da existência humana, mas nunca dando a entender que irá explicar o porquê de tanta gente ter sumido repentinamente naquele fatídico dia 14 de outubro e se atém espertamente na vida e loucura deixada nos que ficaram para trás.

Daí é que surgem Messias, aproveitadores, depressivos e suicidas a cada momento que temos acesso aos novos capítulos. Normalmente, principalmente nesta fase final da história, percebemos que a angústia dos principais personagens está chegando a pontos absurdamente insustentáveis e nem mesmo a religião está sendo capaz de confortar os corações dilacerados pelas perdas não explicadas. O tchan incrível é que essa doença pega em nós, espectadores, é nos sentimos amplamente aflitos pela dor alheia daqueles que não conseguem alívio para seu buraco interno.

A série tem tratado neste momento de mitos, lendas, conflitos e confrontos relacionais, a procura por algo que dê novo sentido à vida dos protagonistas (enquanto demonstra de longe o que ocorre com o resto da população mundial), bombas atômicas, bacanais, fé e a perda dela, mas é difícil ficar alheio às atuações de Justin Theroux (Kevin Garvey), Carrie Coon (Nora Durst), Scott Glenn (Kevin Garvey Sr.), Christopher Ecclestone (Matt Jamison) e Amy Brenemman (Laurie), pois todas elas têm sido arrebatadoras.

Além disso, aparições-relâmpago em pequenos trechos feitos por personagens que aparentemente nem são importantes para a trama central trazem belíssimas performances tanto no empenho de seus atores e atrizes quanto na fotografia fantástica que sai de coloridos intensos para tons pasteis e ilustrações áridas como a vida das pessoas que são mostradas na tela.

Os temas musicais que são modificados e transformados para servir de tema para alguns momentos já clássicos de “The Leftovers” valem não só pela experiência sonora, mas pela história que ela conta também.

Enfim, toda a série é digna de elogios e sua cada vez mais próxima finalização fará com que também nossos corações sejam arrebatados pelo vazio que tal produção deixará. Claro que nunca dá para dar 10 com louvor sem antes saber do final, mas espero sinceramente que não se respondam muitas coisas e que tudo continue focado nos personagens que foram modificados para sempre após suas perdas sem sentido. Isso tudo pode servir, inclusive, para provar que uma série não precisa necessariamente ser como o Google que precisa ter resposta para tudo no momento que você tecla a palavra-chave. Que saibamos viver sob a égide da dúvida e que perguntar tenha tanta importância como é a resposta pura e simples.

Dessa forma, “The Leftovers”, podemos repetir com bastante clareza, é uma das melhores séries que já surgiu na tv em todos os tempos. E isso, mesmo que tenha uma última cena horripilante. Mas pela qualidade empregada e falta de pressa para fazer as coisas acontecerem é possível confiar que nada disso acontecerá. Tomara!

 


 

“Corra” entrega o que promete, um suspense com crítica social

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Uma constante na visualização do filme “Corra” é o estranhamento.

Desde os primeiros segundos do filme quando toca uma música de sonoridade esquisita aos ouvidos de uma plateia acostumada à FM e suas canções-chiclete é óbvio que a ideia do diretor Jonathan Peele é causar desconforto.

Temos atuações muito boas dos protagonistas Cris (Daniel Kaluuya) e a namorada Rose (Allison Williams) e um interessante elenco de apoio com destaque para os pais da moça (Bradley Whitford e Catherine Keener) e o melhor amigo do personagem principal (LiRel Howery) responsável pelos momentos de alívio cômico do filme.

A trama gira em torno da visita do jovem e recente casal à casa dos familiares da garota e desde a viagem algumas situações acontecem para que Cris fique angustiado. Primeiro, pela estranheza do lugar em que se encontra e, segundo, pelo preconceito racial velado apresentado por todos que o cercam.

Esse início que remete automaticamente a “Adivinhe quem Vem para Jantar” de Stanley Kramer (1967) ruma inesperadamente para um suspense cheio de situações non sense, surrealismo, tensão racial, hipnose, um pouco de ficção científica, eugenia e um pouco de terror gore no final, porque ninguém é de ferro.

No meio disso tudo há um clima entre a construção morosa dos personagens e apressamentos em outros momentos que levam o espectador a supor questões de forma rápida que o levam ao erro de interpretação.

Muito disso vem da experiência do diretor com a comédia, afinal de contas. o cara é da cena humorística americana e foi surpresa quando decidiu fazer uma produção que caminhava por uma estrada mais dramática.

O filme foi todo rodado no Alabama num curto espaço de tempo (apenas 28 dias) e contou com um orçamento de US$ 4,5 milhões, algo que nem mesmo os filmes indie conseguem gastar para ter uma arrecadação que já ultrapassa os US$ 100 milhões, somente no mercado interno americano.

Peele diz que a ideia do roteiro veio de um stand up de Eddie Murphy contando como foi conhecer os pais brancos de sua namorada. Quando percebeu que aquela situação aparentemente cômica era também digno de filme de horror partiu para a escrita do que se tornou “Corra”. E não é que deu certo?

 


Brecht para explicar o Brasil de hoje

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Dificuldade de Governar

 

1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2.
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3.
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Bertolt Brecht