Relatos Selvagens: O melhor filme que você não verá neste ano

 
Todo ano é a mesma coisa: pululam nos cineclubes da cidade vários e vários filmes que fazem algum sucesso entre o público alternativo, mas que não conseguem ultrapassar a barreira da Rua Augusta para as salas dos shoppings e seu sistema de ar condicionado hiper-mega-gelado.
 
Além disso, mesmo estando na programação de bons cineclubes eles acabam ficando pouco tempo em cartaz já que a demanda por outros filmes encerra rapidamente sua estada por ali.
 
Deste modo, tal questão atrapalha um maior alastramento da cultura de filmes mais “cabeça” (ou qualquer outro termo que não pareça tão pejorativo), fincando cada vez mais por aí a necessidade do público brasileiro em consumir os blockbusters sem pensar no cinema como uma arte mais conceitual. A coisa se transforma pura e simplesmente em produto para ser consumido ferozmente para que dê lugar ao próximo e assim por diante, um método consumista ad-eterno.
 
Todo esse preâmbulo é necessário para falar sobre “Relatos Selvagens”, filme argentino de Damián Szifron que estreou na semana passada em pequeníssimo circuito aqui em São Paulo.
 
A película, campeã de bilheteria do ano no país vizinho, já havia estreado antes por aqui através de sua exibição na Mostra de Cinema de São Paulo no mês passado e traz ao espectador uma comédia bem diferente daquilo que se convencionou produzir para a tela grande no Brasil.
 
Se pusermos lado a lado “Relatos Selvagens” e “O Candidato Honesto” ficaremos claramente com pena de nossa produção nacional e sentiremos vergonha alheia pelos atores e pelo diretor do filme brasileiro.
 
O longa-metragem estrelado pelo onipresente Ricardo Darín ainda conta com um elenco de suporte que não deixa a qualidade cair em nenhum momento, algo que é raro quando se trata de um filme baseado em inúmeras histórias diferentes: Darío Grandinetti, Oscar Martínez, Diego Gentille e Erica Rivas, no papel de uma noiva que quer se vingar do marido, são ótimos em cada um dos seis capítulos apresentados ao longo das 2 horas de duração.
 
Todos os contos do filme apresentam um tema em comum: pessoas que se cansaram das agruras e das injustiças do cotidiano e decidem fazer justiça com as próprias mãos. Na verdade, é um pouco mais complexo do que isso, mas a expressão usada anteriormente cabe bem apenas para não deixar a coisa sem explicação.
 
É inegável que falar sobre desigualdade social nos dias de hoje pode provocar infinitas polêmicas e haverá debatedores de esquerda à direita para defender suas teses antropológicas, mas não se deve questionar os valores éticos que estão por trás de cada pequeno problema causado pela burocracia e ação indireta ou direta do estado em nossas vidas. O filme retrata como poucos outros fizeram anteriormente o quanto a loucura de nossa vida atual pode nos transformar em outra pessoa numa questão de segundos. E isso já vale o ingresso!
 
Deste modo, Szifron acertou em cheio em apresentar cada episódio por meio de um viés tragicômico. Visualizamos cenas que divertem ao mesmo tempo em que as reflexões passam pela nossa mente. A discussão sobre a injustiça social e a intolerância não se torna vazio e muito menos carregado demais e assim todos os outros problemas das cidades grandes conseguem ser vistos pelo cinéfilo sem que seja apenas desconfortável.
 
“Relatos Selvagens” nasceu com uma chancela importante já que faz parte do catálogo da produtora El Deseo do cineasta espanhol Pedro Almodóvar e seu irmão Agustín Almodóvar. Inclusive, ambos aparecem nos créditos como produtores do filme.
 
Não vou entrar no mérito da qualidade do cinema brasileiro atual, mas como dá inveja de ver uma produção tão bem feita, aqui ao nosso lado, enquanto minguamos com histórias requentadas dos folhetins globais e jogamos para escanteio (ou até mesmo para outros países) diretores talentosos que não conseguem espaço na produção existente por não atenderem à demanda de marqueteiros e publicitários das principais marcas da mídia brasileira.
 
Portanto, corra para assistir a “Relatos Selvagens”, pois não durará muito sua exibição nos dois ou três cinemas que preferiram a qualidade em detrimento do sucesso fácil e vazio.

Por que Jimmy Page é o maior guitarrista de banda de todos os tempos

 
Hoje não é aniversário de Jimmy Page, não é nenhuma data de suma importância para o ex-guitarrista do Led Zeppelin e nem aconteceu nada de especial ligado a este homem.
 
O motivo para este post existir tem a ver com a relevância deste fulano para o mundo da música e para o rock em especial. Liga-se essencialmente ao fato de que é muito por causa dele que os shows de arena começaram a ocorrer e outras bandas tiveram a mesma vontade de realiza-los.
 
Mas também há o proposito de simplesmente homenagear o cara que toca seu instrumento de uma forma única e pessoal e que criou conceitos e maneiras de reinventar o ato de introduzir a guitarra na música contemporânea.
 
Page já era um grande instrumentista quando ingressou no Led Zeppelin no final dos anos 70.
 
Com menos de 18 anos tinha tocado com Cyril Davis All Stars, Alexis Korner’s Blues Incorporated e com os guitarristas Jeff Beck e Eric Clapton. Nesse mesmo período, após ter recebido um convite de Mike Leander da Decca Records, Page começou a ter trabalho certo como músico de estúdio, o que perdurou por tempo suficiente para realizar trabalhos que se tornariam eternos para a história da música.
 
Trabalhou em clássicos do rock como “Twist and Shout” de “Brian Poole and The Tremeloes”, “Just like Eddie” dos Heinz e, em 1964, participou de  “Heart of stone” dos Rolling Stones, “As tears go by” de Marianne Faithfull, “Tobacco road” dos “The Nashville Teens”, “The crying game” de “Dave Berry” e “Shout”, de Lulu.
 
Há, inclusive, algumas histórias sobre possíveis participações de Page em gravações que normalmente são atribuídas a outros músicos. “You really got me” dos Kinks, por exemplo, pode ter tido o solo de Pagem, embora seja considerada como uma produção saída das mãos de Ray Davies.
 
Além disso, gravou as partes de guitarra de “Baby, please don’t go” dos Them e o solo de guitarra no primeiro single do The Who, “I can’t explain”, apesar de que, neste caso, também exista um desacordo sobre a utilização ou não dessa gravação.
 
No ano de 1965, Page foi contratado pelo mesmo empresário dos Rolling Stones, Andrew Loog Oldham. Este pulo na carreira de músico de estúdio proporcionou a Jimmy a atividade em faixas de John Mayall, Nico e Eric Clapton, através da recém-formada Immediate Records.
 
Até composições e gravações para John Williams ele realizou. Por este motivo é que se estima que Jimmy Page tenha participado em 60% das gravações de rock geradas na Inglaterra entre 1963 e 1966.
 
E é aí que acontece a virada na carreira do músico inglês.
 
Após ter sido convidado a substituir Eric Clapton nos Yardbirds em março de 1965, Page declinou a oferta e sugeriu o seu amigo Jeff Beck, mas em Maio de 1966, o baterista Keith Moon, o baixista John Paul Jones, o teclista Nicky Hopkins, Jeff Beck e Page gravaram “Beck’s bolero”.
 
Tal experiência deu a Page a ideia de formar uma banda com John Entwistle no baixo (em vez de Jones), porém a falta de um vocalista de qualidade e problemas contratuais afundaram, pelo menos por enquanto, o projeto.
 
Então a oferta dos Yardbirds ocorreu novamente e Page ficou tocando guitarra com o grupo após a partida de Paul Samwell-Smith, fazendo uma das maiores duplas de guitarristas de todos os tempos com Jeff Beck.
 
A coisa era tão genial que não durou muito por conta dos conflitos relacionais dentro da banda. A falta de sucesso comercial também pesava nessa insatisfação generalizada da banda.
 
Apesar da partida de Keith Relf e Jim McCarty em 1968, Page preferiu continuar com o grupo com uma formação mais enxuta (sob o poder dele) e com o nome The New Yardbirds. Em 1968, a banda muda o nome para Led Zeppelin.
 
Nascia a lenda de uma das maiores bandas do rock’ and roll. Através da mão pesada do músico britânico atuando como produtor, compositor e guitarrista do grupo o cara transformou um banda de virtuoses em um dos mais rentáveis sucessos da história da música.
 
A guitarra Gibson Les Paul e os amplificadores Marshall viraram uma extensão do corpo de Jimmy Page. É a partir deste momento que o uso de diversas técnicas diferenciadas, inovadoras e inusitadas para a época começaram a pipocar no som do Zeppelin. A banda se torna um projeto ambicioso e este britânico tem muita culpa para que o resultado tenha dado certo.
 
Tanto nas apresentações ao vivo quanto em estúdio variações de sons orientais como o uso de experimentações na forma de tocar os instrumentos foram essenciais para a magia contida na sintonia que os membros do Led Zeppelin passaram a ter entre eles e com o público e a crítica.
 
Não havia algo maior que o Zeppelin nos anos 70 (talvez o Pink Floyd tivesse o mesmo tamanho) e a banda virou um protótipo para as futuras bandas de  rock de arena, em especial para o chamado Hard Rock.
 
Page se tornou conhecido por sua maneira única de tocar sua Les Paul, sua outra guitarra com dois braços ou a inovação ao toca-la com um arco de violino.
 
Jimmy fazia gato e sapato dela. E ela respondia apaixonada pelo músico, algo que entra para o rol das coisas inesquecíveis que o rock é capaz de produzir.
 
Page provavelmente seja o ser humano que mais produziu riffs importantes até hoje. Podemos passar o dia todo citando passagens de músicas do Led Zeppelin nas quais a guitarra é o “ser” mais necessário.
 
A agitação de “Whole Lotta Love” (que foi considerado pela BBC inglesa como o melhor riff de todos os tempos), o clima de blues pesado de “Bad Times, Good Times”, a ambientação forte de “Immigrant Song”, a clássica profundidade de “Stairway to Heaven” ou os riffs matadores de “Bring It On Home” são todos exemplos de notas musicais que ficaram eternizadas na história.
 
Há inúmeros outros casos de canções do Led Zeppelin em que a sofisticação deu espaço também ao ritmo compassado do teclado ou do baixo de John Paul Jones ou à bateria pujante de John Bonham e há as situações nas quais a voz de Robert Plant se torna um novo instrumento no meio da balburdia sonora do super-grupo, mas nada disso faria o menor sentido e se não fosse a beleza encandecida do dedilhado da guitarra de Jummy Page.
 
“Kashmir” guarda consigo a técnica e o estudo precisos do guitarrista antenado, “Black Dog” é uma porrada com ritmo acelerado, ‘’No Quarter” é uma viagem ao núcleo do cérebro de Page,  “Dazed and Confused” promove uma confusão que arrepia cada fio de cabelo de nosso corpo.
 
Enfim, a guitarra de Jimmy Page é letal.
 
Algumas notas tocadas por ele e você já se torna prisioneiro de sua técnica e de seu ambiente. A produção do instrumentista também faz isso, com suas distorções sonoras e a limpeza com que focaliza cada uma das ferramentas (isso mesmo, ferramentas) bem manuseadas pelos integrantes do Led, mas é a facilidade com que defere golpes em sua Les Paul que a intriga faz com que cocemos nossas cabeças.
 
Aliás, ver Page tocando provoca queixos caídos até com feras como Jack White e The Edge, como pode ser visto no documentário “It Might Get Loud” de Davis Guggenheim. Veja abaixo:
 
 
As próprias paradas características no som do Led Zeppelin conseguem definir o quanto a limpeza do som da guitarra de Jimmy Page importa para a música contemporânea, já que nossos ouvidos conseguem sentir exatamente o quanto ele é frio e calculista na maneira de inventar riffs e cometer canções extremamente experimentais e que, curiosamente, tornaram-se comerciais e vendáveis igualmente.
 
Numa entrevista ano passado ao jornalista David Fricke para a Rolling Stone americana Jimmy chegou a dizer que é difícil quando perguntam a ele sobre qual a faixa preferida do Led, pois “todas elas eram as minhas preferidas. Todas foram feitas para fazer parte daqueles álbuns, (…) mas suponho que “Kashmir” deva ser uma delas. Eu sabia que não era só uma música baseada na guitarra. Todas as partes de guitarra estariam lá. Mas a orquestra precisava estar lá, refletindo as outras partes, fazendo a mesma coisa que as guitarras estavam fazendo, mas com as cores de uma sinfonia. John Paul Jones fez o arranjo. Mas eu disse: ‘John, é assim que vai ser’. Eu sabia, e eu ouvi. Como foi que Jeff Beck e eu aprendemos naquele tempo, se ele mal conseguia tocar o solo em ‘My Babe’? Nós aprendemos ao nos escutar através dos alto-falantes, no salão, com aqueles músicos. Era sedutor, sentir que você estava aprendendo junto com eles. O que fazíamos era naturalmente estender o espírito da música para as nossas próprias interpretações – eu, Jeff e Eric. Você acessa e agarra. É ótimo ouvir isso no seu próprio trabalho. Você sente que fez a coisa direito”.
Portanto, daí vê-se o tamanho da precisão e da necessidade de perfeccionismo que tomam conta de Jimmy até hoje.
 
Na verdade, ele diz que riffs saem “do nada, do éter”, mas se não houver a habilidade intrínseca na alma do guitarrista o resto se torna banal, esquisito ou apenas megalomaníaco. Vira uma coisa apenas para aparecer.
 
E se no Led Zeppelin (ou antes no Yardbirds) Page fez isso o realizou com tanta maestria que o resultado mágico conferiu à música um toque de simplicidade final que promove a qualidade da canção em si. Quem a escuta apenas por prazer não imagina quantos elementos técnicos estão incluídos ali.
 
Dificilmente teremos um guitarrista de banda novamente como é Jimmy Page simplesmente pelo fato de que é complicado suprir todas as peças com as quais ele sempre trabalhou: destreza, técnica, habilidade, perfeccionismo e criatividade são elementos imprescindíveis para estar num grupo dessa magnitude, mas saber se esconder um pouco lá atrás e conseguir reunir isso tudo para dar certo em prol de um sucesso é deveras complexo.
 
Jimmy Page conseguiu ser o dono do Led Zeppelin deixando todos aparecerem, pois sabia que sua atividade só funcionaria se deixasse fluir o trabalho dos outros também. Ele próprio diz que sentiu isso quando realizou em 1983 uma turnê com Eric Clapton e Jeff Beck e percebeu que só ele não tinha trabalho solo.
 
Pois é, mesmo o maior de todos os guitarristas pode sentir falta de um pouco de companhia para seu instrumento.
Led Zeppelin – The Song Remains the Same in Concert – Madison Square Garden – July 1973
 

Xico Sá e suas mais de cem mulheres

O blog esperou o período das eleições passar para voltar à leitura.

Na última semana o cardápio literário reservou o novo livro de Xico Sá, jornalista que se envolveu em polêmica justamente na época em que o cenário eleitoral pegava fogo e que foi demitido (ou pediu demissão?) da Folha por comentários alusivos ao tema.

Pois bem, mas voltando ao tema do post, a obra se chama “O Livro das Mulheres Extraordinárias” (Editora Três Estrelas) e, obviamente, o assunto é exatamente este: falar sobre mulheres consideradas pelo autor como fora-de-série.

Foram escolhidas mais de cem mulheres brasileiras – desde o teatro até a música, da literatura e da TV, do cinema e da moda atuais.

A ideia do jornalista era bem simples: tecer elogios a cada uma delas.

Trata-se de um apanhado de declarações públicas de amor a todas elas, mas isso não significa que seja um libelo caracterizado apenas pela rasgação de seda. A redação de Sá que é, sabidamente, muito criativa e estilosa ganha nesta obra a qualidade da brevidade.

E é até um pouco compreensivo que tal situação ocorra em “Mulheres Extraordinárias”, pois apesar da boa escrita de Xico, também acaba por ser notada sua queda por certa verborragia que, às vezes, ultrapassa o momento adequado para concluir raciocínios.

São aproximadamente duas a três páginas que o escritor passa falando sobre suas musas, o que impede de o leitor enjoar rapidamente com os elogios desferidos.

Também cabe dizer que num livro deste tipo há sempre a possibilidade bem real de não se concordar com as mulheres escolhidas para esse afago textual. Daí a obrigação do leitor em não se envolver especificamente com a destinatária do texto, mas sim com o que foi escrito em si. E aí a coisa fica mais intensa e bonita de se ler.

Há todo tipo de mulher nas páginas deste livro: Luiza Brunet, Camila Pitanga, Gisele Bündchen, Sabrina Sato, Isis Valverde, Marisa Monte, Thais Araújo, Fernanda Lima, Juliana Paes, Débora Falabella, Claudia Abreu, Lídia Brondi, Leandra Leal, Cleo Pires, Vera Fischer, etc.

Xico Sá diz que divide “o amor a essas mulheres com as massas” e demonstra que “são elas as guias do erotismo e do afeto no país”.

Ele indica que elas são as “nossas artistas poderosas e nossos seres mitológicos” e “a expressão das grandezas do Brasil e da brasilidade”.

São exatas 127 mulheres e, deste modo, Sá pode divagar sobre como cada uma delas é para ele. Suas conquistas, seus estilos de vida diferentes, a tendência para polemizar de umas e a nobreza inerente de outras.

Ele escreve sobre a paixão por suas curvas e o erotismo que transparece em algumas, mas nunca destoa para um discurso machista ou sexista. O jornalista consegue ser elogioso sem ser piegas e galanteador ainda sendo agradável.

Tem tempo para parafrasear Martinho da Vila e dizer que há ali “mulheres de todas as cores, mulheres cabeças e desequilibradas”.

Em recente entrevista ao site Glamurama do UOL, o autor ainda deixou no ar a possibilidade de realizar uma segunda edição da obra: “muita mulher incrível ficou de fora”, conta Sá.

Ao que parece, o critério para a escolha é exatamente a ausência deste. Há mulheres de nível intelectual elevado, algumas com o porte físico como qualidade extrema ou uma junção dessas duas coisas.

Na mesma entrevista Xico Sá citou outros escritores mulherengos, como Vinicius de Moraes (1913-1980), Antônio Maria (1921-1964) e Paulo Mendes Campos (1922-1991) que sabiam como ninguém escrever sobre o sexo feminino sem que isso ferisse o decoro delas e os considerou como influências para a sua própria redação.

Ele acrescentou que acredita inaugurar um subgênero literário: “a cantada literária”.

Enfim, não é nenhuma obra prima, mas pode ser avaliado como um livro de bom texto e tema apaixonante, mas que não se torna enfadonho e repetitivo à exaustão.

E isso se deve simplesmente pelo fato de ter sido escrito com destreza por Xico Sá. Tivesse a ideia caído no colo de alguém com menos aptidão a coisa poderia ter dado muito, mas muito errado mesmo.

Lana Del Rey, Tim Burton, os olhos grandes e Marilyn Manson

Nem só de polêmica vive a carreira da musa Lana Del Rey. Ou também, certo?!

Ela passou incólume pelo arsenal vociferador (e imbecil) do rapper Eminem que, através de um vídeo de improvisação, havia dito que queria bater na cantor. O demente foi respondido em alto e bom som pela também cantora Iggy Azalea, mas Lana nem se deu ao luxo de tocar no assunto,

Mas como ela também gosta de estar em evidência pela sua obra, que já rende bastante assunto por conta das letras, parece que o negócio está corrido nos últimos dias.

Na quarta-feira (19) saiu a notícia de que a cantora realizou parceria com TIm Burton, o que resultou na composição de duas músicas para “Big eyes”, filme do diretor sobre a pintora Margaret Keane. A vida da artista, conhecida pelo tamanho exagerado dos olhos de seus retratos, é interessante também pelo fato de que seu marido, Walter, durante muitos anos, roubou a autoria de seus quadros.

O filme tem estreia marcada para o dia de Natal nos Estados Unidos.

Pitadinha de maldade: quando vi o nome do filme juro que pensei que este se tratava de uma homenagem à esposa do autor, Helena Bohan Carter. Segue o jogo!

No release oficial apresentado à revista “Hollywood Reporter” sobre a parceria, Larry Karaszewski, produtor do filme, divulgou que ”Big Eyes” e “I Can Fly”, as tais duas músicas “expressam à perfeição o que Margaret sente, é como um solilóquio de seus pensamentos mais íntimos”.

E para não nos deixar passar o feriado sem falar mais um pouquinho sobre ela, Lana (ou alguém de seu staff) divulgou um vídeo com a participação de Marilyn Manson no qual mostra a cantora sendo estuprada. Com o título “Sturmgruppe”, as imagens mostram uma sequência de cenas sinistras e bizarras que terminam com o abuso sexual de Lana.

O clipe com direção de Eli Roth (O Albergue) “estava trancado em um cofre há mais de um ano”, segundo palavras do próprio autor. Além disso, o diretor notório por apresentar cenas sangrentas e violentas em seus filmes, confessou por meio de uma entrevista ao apresentador Larry King que as imagens são realmente “doentias”. Ainda bem que ele sabe.

Veja o resultado do vídeo:

A clássica banda Ride retorna no Primavera Sound 2015

O ótimo Primavera Sound, festival de música que acontece em Barcelona, Espanha, todos os anos, tem se afamado por informar seu line-up através de grandes anúncios em prédios ao redor da cidade da Catalunha.

Dias atrás, quem passou pelas ruas da cidade viu um grande outdoor com o logotipo da banda Strokes, de Julian Casablancas. Pronto! Não é só um estrondo comercial, mas também uma maneira de se consolidar no mercado de festivais através de uma ação exclusiva.

Dia 18 começaram a pipocar ao redor de Barcelona um grande anúncio com o símbolo do Festival, as datas em que acontecerão os shows (28 a 30 de maio de 2015) e a palavra “RIDE”, assim mesmo em caixa alta.

191114_ride2

Fãs ardorosos da banda alternativa que arrebatou corações indies nos anos 80 e 90 tinham taquicardias só de pensar que aquilo podia ser verdade.

Foi então no dia 19 que os produtores do evento confirmaram oficialmente a volta do grupo inglês para ser uma das atrações da série de shows espanhola.

Para quem não lembra ou não viveu a época do Ride, trata-se de uma banda que se notabilizou no fim dos anos 80 tendo sido derivada do Shoegaze, mais uma maneira de se portar em cima do palco do que uma cena musical propriamente dita, mas que tinha um local meio que em comum: o sul da Inglaterra.

A banda considerada precursora do Shoegaze moderno, se podemos chama-la assim, foi o My Blood Valentine, mas o Ride tinha características muito parecidas por conta da imobilidade de seus integrantes quando estavam em cima do palco. A ideia central desse estilo de comportamento era a completa introspecção dos músicos durante as apresentações, o que conferia um tom sombrio aos shows.

Talvez contribuía para isso o frio desgraçado que faz naquela parte do planeta e a maneira com a qual os fãs reagiam a essas apresentações. Uma total viagem egocentrista de cada pessoa que estava nos shows e que transformava qualquer atividade do My Blood Valentine, do Ride ou de qualquer das outras bandas que os seguiram em algo único, individual.

O Ride volta após um hiato de 20 anos e quatro álbuns lançados desde sua formação. O Primavera Sound também acaba por se notabilizar em ressuscitar bandas que estavam paradas havia muito tempo. O mesmo, coincidentemente, aconteceu com o My Blood Valentine no ano passado e com o Slowdive neste ano.

E só para matar a saudade, veja um vídeo antigo pacas do Ride em ação:

Prévia do Popload Festival: o que andam fazendo as principais atrações do evento indie

untitled

O evento musical da família indie brasileira acontece somente nos dias 28 e 29 de novembro, semana que vem, mas já se sente o perfume do festival por aqui já que restam agora menos de dez dias para acontecer.
 
Com o cancelamento da super-band Beirut, orquestra de Zach Condon que tocaria por nossos lados alguns petardos do indie-folk, fica além da frustração por não acompanharmos essa mistureba de ritmos no palco do Audio Club, a necessidade de focarmos naqueles que restaram.
 
E não são poucas as boas atrações.
 
Serão nove atrações internacionais e seis nacionais com uma miscelânea de sonoridades e barulhos para todos os gostos.
 
E para esfregarmos as mãos à espera dos principais nomes do evento já há gente chegando a solo sul-americano a fim de preparar terreno para as apresentações da semana que vem.
 
Os australianos psicodélicos do Tame Impala já tocarão em terras chilenas no festival Primavera Fauna em Santiago (22), no Music Wins Fest de Buenos Aires, Argentina (24), antes de desembarcar para show solo no Circo Voador do Rio de Janeiro (26).
 
Tudo isso para tentar superar no dia 28 a sensacional apresentação do ano passado aqui em São Paulo.
 
Enquanto isso, The Lumineers se destacam no Soma Festival de Bogotá já amanhã (20), dividem logo em seguida palco com o Tame Impala no Primavera Fauna do Chile (22) e tocam para casas lotadas em Buenos Aires em shows solos, aproveitando-se do sucesso que fizeram nas rádios argentinas ente o ano passado e este ano.
 
Ao contrário dessas duas bandas, ainda há gente lá pelo lado de cima do globo. A musa Cat Power ainda se descabela pelos clubes da Europa e faz shows em Frankfurt, Alemanha (19), Atenas, Grécia (21) e Istambul, Turquia (22 e 23), antes de pousar em São Paulo no dia 28.
 
Quanto ao Metronomy, pelo jeito só a descanso e para não ficar apenas no marasmo eles tem apresentado novos vídeos em seu site oficial para deixar uma prévia aos fãs brasileiros que irão ver a banda eletrônica em 29 de novembro.
 
De resto, é esperar que a banda “gêmea” do Tame Impala, os igualmente australianos do Pond, não sejam somente isso no palco paulistano e que as atrações nacionais tenham bom espaço para mostrar seus trabalhos.
 
Notadamente, os goianos do Boogarins já estrelam há algum tempo na noite paulista e devem fazer sucesso no festival, seguidos de Marcelo Jeneci e Rodrigo Amarante, pela sua notoriedade à frente de Los Hermanos.
  
Enfim, é aguardar pelo festival que, mesmo com os preços salgados, promete ter bom público e muita coisa para comentar no dia seguinte aos shows.