Estamos em férias, mas o disco novo do The xx vale uma palavrinha

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“I See You” saiu dia 13/01 e já está disponível nas principais plataformas de streaming do mundo.

O novo disco vem depois de um hiato de 5 anos e põe o pé no pop mais do que no passado da banda.

É óbvio que as passagens vocais e os silêncios eletrônicos que viraram influência para outros grupos do momento continuam ali, mas a pegada mais acessível é promovida no álbum que foi produzido por Rodaidh McDonald, antigo colaborador de Jamie XX e lançado pela Young Turks.

Além disso, o tamanho da banda que gravou o disco em pedaços em estúdios espalhados por Nova York, Los Angeles, Londres e Reykjavik entre 2014 e meados de 2016, cresceu muito e prova disso é a escalação do grupo inglês para a perna sul-americana do Lollapalooza (passando inclusive por aqui dia 25 de março).

Os duetos entre Madley Croft e Oliver Sim prosseguem, mas a melancolia já é deixada mais de lado em favor de uma sonoridade de ambiente mais quente. Portanto, acaba por promover uma guinada na maneira de Jamie XX direcionar seus ideais eletrônicos nas canções novas. Isso pode ser visto, por exemplo, em “Dangerous”, “I Dare” e “Test Me”.

Dessa forma, outras faixas como “Say Something Loving”, “Lips” e “A Violent Noise” funcionam como um mix do som tradicional The xx em consonância com a base vocal de seus integrantes.

As letras também dão um tom muito forte na atuação da banda neste momento de carreira, pois até mesmo toques aos fãs sobre sua mudança de direção na maneira de realizar sua música aparece nos versos. Veja os casos de “Performance”, “Brave For You” e “On Hold” (essa última perguntando “Vocês vão continuar com a gente?”).

Então, dê o play no álbum por completo e responda à questão do The xx para saber se vale a pena prosseguir com eles após todo esse processo de mudança. A julgar não só pelas críticas, mas pela reação imediata dos fãs, além da nossa própria apreciação ao ouvir “I See You”, continuaremos sim com eles!


The xx – I See You

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1 – Dangerous

2 – Say Something Loving

3 – Lips

4 – A Violent Noise

5 – Performance

6 – Replica

7 – Brave For You

8 – On Hold

9 – I Dare You

10 – Test Me


The xx – On Hold

 

 


 

 

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Conheça a autoluminescência musical de Rowland S. Howard, um dos grandes parceiros de Nick Cave

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Estou ofuscante, autoluminescente, sou um calor branco, um enviado do céu. Eu era um pesadelo, mas não vou voltar lá novamente”.

Rowland S. Howard foi um músico australiano, conhecido por seu trabalho na banda The Birthday Party, suas colaborações com Nick Cave, Blixa Bargeld e Lydia Lunch, além de sua curta, mas estupenda carreira solo.

Escreveu a música “Shivers” aos 16 anos, lançada como single ao lado do The Birthday Party mais tarde, berço de muitos talentos. Howard era um deles. Uma figura melancólica de olhos tristes e cigarro nos dedos, sorriso contido e autoentrega ímpar a qualquer projeto em que estivesse engajado.

Seu primeiro disco solo, “Teenage Snuff Film“, de 1999, mostra uma sonoridade madura e direta, embalada pela voz incisiva de Howard e letras de extrema vulnerabilidade, como “Autoluminescent” e “Silver Chain“.

Em outubro de 2009, Howard faz a seguinte declaração: “Contraí câncer no fígado. Se eu não conseguir o transplante que estou esperando, as coisas talvez não fiquem muito bem, então…”.

Então nasce “Pop Crimes“, o último no legado do músico. A voz de Howard passeia calmamente por versos entremeados de Ave Marias e pirulitos de fentanil (medicamentos próprios de quem contrai o câncer). “A vida é o que você faz dela, não odeia isso?“.

Falece dois meses e meio mais tarde, aos 50 anos, sucumbindo ao hepatocarcinoma.

Como já dito por Nick Cave, Mick Harvey e qualquer outro que tenha trabalhado ao seu lado: o diferencial de Howard era sua vontade de viver.

Para alguns, música é sinônimo de redenção.

***Giovana Bastos Oliveira é colaboradora do Blog***

Pílulas nas férias II: O que aconteceu com nosso jornalismo?

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O que aconteceu com nosso jornalismo?

Não se vê mais nenhuma reportagem especial, não há uma única autenticidade investigativa sequer e tudo é muito preguiçoso.

Duvida? Olhe apenas para dois casos palpitantes que nos rodeiam há tempos: os desdobramentos da Lava-Jato não tiveram nenhuma reportagem tentando analisar o que está ocorrendo através de investigação jornalística.

Tudo o que se tem apenas “vaza” do próprio judiciário, o que nos dá sempre a impressão de ser proposital; outro caso exemplar é a guerra de facções criminosas e os problemas nos presídios brasileiros.

Com exceção de uma boa reportagem de 2013 da Carta Capital sobre o PCC, não existe um jornalista qualquer para representar no submundo dessas ações e tentar analisar de forma mais complexa tudo o que está desencadeando agora?

Impossível haver neste Brasil babaca de hoje uma reportagem como aquela do Boston Globe retratada no filme Spotlight?

Senão tem como então que se enterre logo e coloquem uma placa “Aqui jaz o jornalismo brasileiro”.


Pílulas nas férias I: A experiência de assistir “Capitão Fantástico”

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“Capitão Fantástico” não é um dos melhores filme do ano, é um dos melhores do século!!!

A quantidade de teses e discussões que ele pode levantar é enorme e, apesar de ser assumidamente uma obra dita de esquerda, a produção não alivia para os erros do sistema comunista/socialista e as possíveis utopias que cada um deles pode fornecer.

Por outro lado, demonstra as complicações do capitalismo e suas reverberações que jogam o mundo no poço escuro no qual se encontra hoje.

Sendo assim, a destreza do roteiro, a trama bem desenvolvida e a atuação precisa de todos os atores (além da doçura das crianças e a ótima direção) formam, junto com a boa comicidade engendrada durante os 120 minutos de produção, um clássico imediato do cinema americano contemporâneo.

Veja o trailer abaixo: