Umberto Eco e a necessidade de se aprofundar numa história

 
Quando assisti ao filme “O Nome da Rosa” pela primeira vez, ainda no final dos anos 80, também foi a primeira vez com a qual me deparei com o nome de Umberto Eco.
 
A sorte de ouvir um nome tão importante para a literatura mundial tanto como escritor de ótimos livros quanto no papel de crítico e estudioso da semiótica e da estilística tem muito a ver com a boa adaptação que Jean-Jacques Annaud realizou para o cinema do livro lançado em 1980 pelo autor italiano.
 
Não fosse o fato de ter sido bem representada para a tela grande uma história complexa que mistura fatos reais, pitadas de filosofia, religiosidade e tramas e subtramas baseadas em conspirações executadas dentro de um claustro medieval.
 
Na verdade, o enredo de Eco retrata um episódio, passado durante a Idade Média, no qual o riso era considerado um pecado por parte da Igreja. 
 
A coisa gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia em que fica impossível não percebermos certo ar de suspense e genialidade que antes fora empregado por Arthur Conan Doyle nas aventuras de Sherlock Holmes na figura do frade franciscano Willian de Baskerville.
 
Ele é assessorado pelo noviço Adso de Melk, puro nas ideias e inocente na forma de lidar com as questões religiosas da Igreja Católica, para que ambos possam ir fundo em suas análises investigativas.
 
O problema são as complicações e a resistência impostas por alguns dos religiosos do local, para que não fossem desvendadas as verdadeiras intenções dos crimes cometidos lá.
 
É um livro que apesar de possuir alguma ação, prende-se principalmente aos momentos de diálogos travados entre os protagonistas e as ponderações filosóficas e os questionamentos da fé efetuados por Willian de Bakersville.
 
A descoberta da sexualidade e a perda da inocência por parte de Adso também são importantes para um aprofundamento dos temas discutidos no romance ao que diz respeito ao leitor.
 
É óbvio que outra comparação, a da obra com um toque quixotesco também se valida, mas o debate em torno dos escritos de Aristóteles acaba por tomar forma preponderante a quem se aventura nessa estória costurada milimetricamente pela pena hábil de Eco.
 
Mas o escritor italiano não é somente “O Nome da Rosa”.
 
O fato de ter se formado em Semiótica e atuar nesse setor da Linguística  como professor titular da Universidade de Bolonha até hoje suscitou no escritor um manejo muito bom para conversar sobre o tema e outras áreas interligadas.
 
Isso fez dele um colaborador usual da revista L’Espresso e a La Republica e proporcionou trilhar um caminho filosófico aberto por Luigi Pareyson no que tange aos estudos do período medieval e da atividade e pensamento de São Tomás de Aquino, além da discussão acerca do belo.
 
Foi através disso, e por conta do sucesso inesperado de “O Nome da Rosa”, já que se tratava de um teórico migrando para o romance, o que nem sempre dá certo no mundo da literatura, que Umberto Eco pôde se dedicar à complexidade de obras posteriores.
 
Se houve quem desconfiasse da possibilidade de Eco ser capaz de repetir a dose de ficção histórica em consonância com a investigação filosófica e até estilística já realizada em seu primeiro romance não ficou nenhuma dúvida de seu talento em criar uma investigação especulativa viável e segura através de “O Pêndulo de Focault”. Se hoje há quem venere os livros de Dan Brown por conta da inclusão de esoterismo e ideias conspiratórias para se contar uma aventura o autor italiano já o fazia muito bem em 1988.
 
Segue-se a esta obra o perspicaz e transcendental “A Ilha do Dia Anterior” (1994) que reflete sobre a loucura e acerca de qual é a verdadeira realidade numa estória captada através do olhar humanista que se iniciava pela Europa no Século XVII e por meio da relação sempre complexa de embate entre Ciência e Religião.
 
Neste romance percebe-se também a capacidade linguística e o aprofundamento das pesquisas do escritor com relação ao uso das diferentes línguas ao longo do tempo e do espaço e dos diferentes contextos sociais e históricos. Se sua facilidade em produzir boas discussões é plena a maneira como utiliza a palavra também se torna perfeita.
 
“Baudolino” havia sido o último livro lançado pelo autor ainda no ano 2000 e trazia novamente o retorno de Umberto ao mundo medieval, época mais bem trabalhada e conhecida por ele.
 
E não se pode apenas resumir o livro a uma história contada sobre um homem que se intitula “o maior mentiroso do mundo inteiro”.
 
O fato de ele ir contando seus feitos ao historiador Nicetas Coniates também a torna bela e cheia de efeitos semióticos por meio da íntima relação que tais acontecimentos por ele narrados se assemelham ou divagam junto com os mitos e alguns acontecimentos históricos.
 
Se há causos envolvendo guerras há igualmente uma viagem ao oriente por meio da visão de que é um mundo jamais imaginado. O livro perpassa pela aventura de um jovem adotado por Frederico I, o Barba Ruiva, em uma saga se iniciando na coroação deste imperador à invasão de Constantinopla pelas cruzadas e acaba por nos levar a tempos em que a geografia não explorada dava margens para pensamentos amalucados (não para os povos daquele período).
 
Agora, em pleno ano de 2015, Umberto Eco se envereda por um campo jamais explorado por ele: o romance contemporâneo.
 
Ele acaba de lançar um livro chamado “Número Zero” que retrata um caso envolvendo máfia, jornalismo e, como não poderia faltar, investigação e conspiração.
 
A história se passa em 1992, período em que se aplica a operação “Mani Pulite” (Mãos Limpas) na Itália. A investigação que arrasou boa parte da classe política por lá e que encontrou diversas transações entre os servidores do poder italiano e pessoas ligadas à máfia.
 
A trama é mais aprofundada por conta da ação de um jornalista paranoico que tenta desvendar até onde podem chegar tais investigações e quem eram as pessoas que podiam ser fisgadas pela atividade. Sua ação e seu afã de encontrar indícios de qualquer possível pauta podem, inclusive, gerar discussões sobre os manuais de bom ou mau jornalismo.
 
Além disso, ainda possui uma subtrama na qual se analisa o papel de Licio Gelli, temido ator dos meandros subterrâneos financeiros da Itália que era ligado à Maçonaria e tentava aplicar um “golpe branco” no governo do país.
 
Ainda não li o livro, mas assim que o fizer trarei a resenha completa a respeito dele.
 
Por outro lado, é importante sempre frisar que a obra literária de Umberto Eco possui a qualidade máxima de aprofundar temas tão complexos como a Filosofia, a Religião e o Poder constituído através de romances que não ficam apenas na discussão acerca disso, mas também se potencializam por causa da ação de homens que se questionam e desconfiam de que tudo é branco ou preto, sem que para isso sejam criados personagens caricatos ou simplórios. Estes mesmos possuem defeitos que os tornam humanos mais próximos do que o somos na realidade.
 
Se na pesquisa linguística, semiótica e semiológica o escritor italiano nos ensino muito ainda é na obra ficcional que ele nos proporciona uma leitura prazerosa sem que nos deixe apenas atividades superficiais. Ele nos quer afogados por sua profundidade e questionamento para que possamos submergir na riqueza de sua literatura. 

Por enquanto é só no Rio, mas Phantogram vem aí

A notícia saiu ontem por meio da página oficial do duo americano no Facebook: Phantogram toca dia 12 de maio no Circo Voador ao lado da banda local The Outs (que também abrirá o show do Temples em São Paulo dias depois em São Paulo) dentro do mini-festival Rubber Tracks Live, evento gratuito patrocinado pela marca de tênis Converse.
 
Foi com um rápido, mas empolgante “Hey Brazil, we going to play there” que a conta da banda anunciou que a linda e ótima cantora, além de tecladista Sarah Barthel e o parceiro e guitarrista Josh Carter farão sua primeira aparição por esses lados do Atlântico.
 
É interessante também que tal informação seja transmitida com tão poucos dias de antecedência para o evento, pois normalmente há necessidade de certo período para organização da atividade como um todo e para a preparação dos envolvidos para vir para perto de nós. O que mais atrapalha, muitas vezes, é a questão envolvendo a viagem, porém parece que já está tudo resolvido.
 
Há também a facilidade por conta de não se precisar vender ingressos já que a entrada no festival é franca.
 
Mas ainda não foi mencionado quanto ao procedimento para adquirir as entradas, algo que deve ser sanado através da inscrição no site Rockbee (gorockbee.com) para aguardar uma resposta para retirar o ingresso.
 
O Phantogram ficou mais conhecido no ano passado por conta do ótimo álbum “Voices” que ficou entre os melhores discos de algumas listas indie mundiais, inclusive a nossa.
 
No dia 13 de maio também haverá shows dentro da programação do festival que incluem a experiência do ex-Ramone Marky Ramone e sua banda Blitzkrieg, que mantém no vocal o doido varrido Andrew WK, que surgiu junto com o novo rock nova-iorquino no início dos anos 2000. Abre para eles a banda local Hell On.
  
O Converse Rubber Tracks Live tem atividade original na cidade de Nova York e acontecerá neste próximo final de semana com o Blur. É pouco?  

Monstros do Desrespeito

Um dia de sol numa manhã de outono parece fazer povoar em minha cabeça ótimas expectativas para os shows que virão logo mais.
 
Estamos no dia 25 de abril de 2015, e faço meu planejamento para chegar à Arena Anhembi: saio de casa às 16 horas, chego às proximidades do local indicado por volta das 17 horas e consigo entrar até, mais ou menos, umas 18 horas.
 
O mote deste texto tem a ver com o festival Monsters of Rock na sua nova versão depois de ter ficado inúmeros anos sem acontecer e inflado pela participação de bandas como Judas Priest, Motörhead, Accept, Kiss e do madman Ozzy Osbourne.
 
A ideia inicial era falar apenas sobre os shows dos artistas em cima do palco e realizar uma crítica acerca de suas atuações frente a uma plateia poderosa como é a dos headbangers em eventos em São Paulo.
 
O problema é que não dá para fazer isso por conta da quantidade irritante de erros e desrespeito cometidos pela organização da atividade.
 
Meu plano vai dando certo até o momento em que estaciono o carro numa concessionária na avenida que dá acesso ao Anhembi e lembro de ter ouvido pelo rádio minutos antes que juntamente ao evento de rock também acontece o Feirão da Casa Própria promovido pela Caixa Econômica Federal no Pavilhão do mesmo local.
 
Algo faz coçar minha cabeça e não se trata de piolho ou caspa (eu lavo meu cabelo direitinho, pessoal).
 
Caminho até o portão número 9, que fica bem no começo do Sambódromo e fico estarrecido com a quantidade de gente espremida por ali.
 
Começa a via crucis!
 
Ao me informar a respeito do que ali acontece eu sei que já passamos da quarta apresentação do festival (De la Tierra, Primal Fear, Coal Chamber e Rival Sons já haviam subido ao palco até aquele momento). Aparentemente, daria para ainda pegar a apresentação de Black Viel Brides, antes de ir para o arrebento com a trinca final de Motörhead, Judas Priest e Ozzy Osbourne.
 
Daria!
 
Sigo o fluxo de pessoas procurando o final da fila e percebo que se inicia o show da banda citada anteriormente. Será que pego um pedaço da apresentação?
 
Ando, ando e chego até a entrada do tal Feirão. Já percebo certa bagunça entre os organizadores de lá, os agentes da CET e os produtores do Monsters. Sabe-se há muito tempo que esses dois eventos aconteceriam no mesmo dia? Quem deixou que isso acontecesse? Custava pular uma semana para que um ou outro fosse feito? Anhembi e Produtores dos dois eventos deveriam responder a essas perguntas em respeito aos participantes das duas atividades.
 
Mas a minha maratona ainda não chegou ao fim. Vou até o fim do Centro de Convenções na avenida Olavo Fontoura que fica de frente com a Praça de Bagatelle e meus pés já doem após mais trinta minutos andando.
 
Pois bem, não é ali o final da fila. Ainda teria mais de trinta minutos até encontra-la. Quando isso acontece ao dar a volta no Anhembi há pessoas que até comemoram como se fosse um gol.
 
Começa outra corrida, essa mais lenta, muito mais lenta.
 
São mais uma hora e meia de fila até chegar num ponto em que há uma rua que faz ter uma ruptura onde pessoas mal educadas aproveitam para furar a ordem das coisas e entram na fila.
 
Dá-se início a uma correria insana e absurda que dura mais ou menos trinta minutos. Imagina a condição dos pés da galera.
 
Pronto: chegamos até a entrada do evento e a portinha pela qual adentramos se transforma numa imensa confusão de alambrados e cancelas que direcional o pessoal até a revista (muito mal feita) e a verificação dos ingressos.
 
Quando entro finalmente a primeira coisa que me vem à mente é ir ao banheiro, mas o atendimento desse quesito é tão mal feito que só quatro banheiros para os homens e apenas dois para as meninas.
 
Havia fila para os homens (o que é até estranho em eventos assim, pois a quantidade de banheiros químicos normalmente é enorme), imaginem então o transtorno que era para as mulheres. Um horror, um horror!
 
Muitos caras desistem de esperar para usar aqueles poucos banheiros e descarregam sua urina ali mesmo na porta. O cheiro se torna insuportável.
 
O show do Black Veil Brides já havia terminado e me informo com algumas pessoas como foi a apresentação. E fico sabendo que os caras não gostaram da vaia da galera e saíram do palco para voltar depois de um tempo e diminuírem o período do show. Penso somente o seguinte: se você é contratado para tocar num festival deste porte não importa qual é a reação do público, sua única atitude louvável é que termine profissionalmente o que de você se espera. Ficar ofendido com vaia de plateia é ridículo para uma banda profissional.
 
Ao mesmo tempo sou informado de que Lemmy havia passado mal durante a noite, o que fez o Motörhead cancelar seu show. Primeiro penso: porra, o cara é um Highlander e a única vez que resolve ficar doente é aqui no Brasil? Depois desejo melhoras ao mestre do metal e, por fim, pergunto se já houve alguma alteração em horário ou troca de banda para suprimir a lacuna deixada pelo cancelamento. A resposta é sim e ainda me dizem que Andreas Kisser e Derick Greene do Sepultura assumiram o lugar de Lemmy para uma canja para a plateia.
 
Meu questionamento agora é: como assim “assumiram”???
 
E o que me respondem é que já fizeram o show, um show com três músicas (!!!).
 
Novamente, o desrespeito falou mais alto. É óbvio que ninguém conta com uma doença que atrapalhe a programação de um evento deste porte, mas o público merecia algo melhor como resposta a essa decepção de não ver o ídolo de perto.
 
Vou me aproximando da parte mais próxima do palco e qual não é minha surpresa que inventaram de colocar locais de venda de bebidas bem no centro em direção dele, o que inclusive atrapalha a vista de quem está longe e o equipamento de som também ajuda para que o problema da vista se torne maior.
 
Começo a entender que os organizadores quiseram imitar o esquema realizado (com sucesso) pela produção do Lollapalooza Brasil, mas a questão crucial é que em Interlagos há muito espaço de sobra e as barracas para venda de bebidas, comidas e souvenirs é bem afastada dos locais dos shows e mesmo aquelas irritantes cabanas patrocinadas até por absorventes ficam em espaços estratégicos numa distância segura e até numa altura diferenciada dos palcos. É claro que a geografia do lugar auxilia nisso, mas tenho certeza que tal situação foi pensada com antecedência pelos seus produtores.
 
Já no Anhembi o que falta mesmo é espaço e enfiar 40, 50 mil pessoas naquele lugar é um processo desgastante e complexo sem que haja nada atrapalhando, imagine com um monte de barraca parecendo uma feira mais bagunçada do que o normal.
 
Comecei a perceber que o público já estava irritado e tudo o que cercava a falta de organização do festival só aumentava a intranquilidade de todos.
 
Percebia, inclusive, uma falta de paciência e muitos já passavam empurrando uns aos outros quanto mais se chegava próximo do palco. Os pés que já doíam tomaram algumas pisadas que precarizaram ainda mais a sua utilização.
 
Os banheiros químicos colocados por aqueles lados eram muito poucos e eu percebia muita gente voltando para a parte longínqua do evento para poder usar o banheiro.
 
Fiz isso e só consegui adquirir as tais fichinhas para ser trocada por alguma bebida depois de mais meia hora de fila e é claro que a minha primeira cerveja só pode ser comprada quando já era aproximadamente 21 horas momento aproximado da entrada de Rob Halford e seus asseclas no palco.
 
Como as pernas não aguentavam mais me sentei num lugar muito distante para assistir ao show pelo telão, mas este era tão pequeno que parecia uma tv 14 polegadas daquelas que o povo mais aficionado coloca na cozinha de casa. Além disso, ainda tinham aqueles bloqueios que dificultavam a visão de que estava longe.
Para piorar, inventaram uma mini galeria do rock perto deste local onde eu estava e havia um DJ tocando clássicos do rock para quem ali estava. Não vejo problema nenhum de se fazer algo assim, mas quando há as apresentações a pessoa tem de se tocar e desligar a bagaça, certo? Não, errado! Precisou uma turma reclamar para que o Mané parasse com aquilo.
 
Pois bem, consegui assistir à apresentação bem perto a uns tiozinhos de uma equipe de motoqueiros que nitidamente são apaixonados pelo rock e que faz a gente ainda ter alguma fé nesse estilo que está foi esmagado por uma produção horrenda e desrespeitosa.
 
Assisti ao show completo, mas o estrago estava feito.
 
Ozzy que me desculpe, mas eu já o vi em carreira solo, em apresentação histórica com o Black Sabbath e mais um pouco eu teria de ser carregado por conta das bolhas em meus pés. Portanto, deixei que a garotada mais nova ficasse a cargo de ver o velhinho fazer o seu show que foi muito bom, segundo relatos variados.
 
Fui embora, não entristecido, mas cheio de ódio de uma organização que se preocupou tanto em colocar milhões de stands de patrocinadores que se esqueceu que no meio disso tudo havia um show no qual bandas e os fãs delas iriam participar.
 
A sensação é que os dinossauros do rock foram destruídos pelos monstros do desrespeito.
 

The War on Drugs conquista a América

A banda que chegou ao seu terceiro LP ano passado conseguiu ultrapassar a vagação apenas pela cena indie americana para alçar voos maiores de lá para cá.

Se havia feito algum barulho nas rádios universitárias com “Wagonwheel Blues” (2008) acabou por esfriar as expectativas da crítica com o fraco “Slave Ambient” (2012). Essa irregularidade qualitativa do grupo criado na Filadélfia o atrapalhou bastante para se firmar na cena interna, o que dirá na viagem pelos ouvidos da galera de fora do país.

Mas a excelência do álbum “Lost in the Dream” posicionou Adam Granduciel e seus comparsas num patamar que era irreal para eles até então. A vida dos caras não tem sido fácil e a atual turnê do grupo acarreta até 20 shows por mês (tendendo a aumentar isso já que farão uma esticada à Europa e Japão).

Com participação em alguns mega-festivais americanos desde o ano passado culminando na atividade única que proporcionou aos fãs que compareceram ao Coachella semana passada, a banda saboreia o sabor da fama e a necessidade de se mostrar para um público cada vez maior em locais nos quais não estão acostumados a aparecer.

Isso se comprova bastante na ida dos rapazes ao programa vespertino de Ellen Degeneres durante esta semana para se apresentarem meio sem jeito à plateia de senhoras da comediante.

Eles  tocaram a linda “Red Eyes” e percebe-se que ainda não foram sugados pelo mainstream tanto na fala de seus integrantes quanto em seu posicionamento no palco e até mesmo nas roupas por eles usadas. A música é um misto da aura possante de Bruce Springsteen em consonância com crueza e habilidade narrativa de Bob Dylan numa letra que fala de depressão e altos e baixos de quem passa por este problema após a perda de um amor.

Na verdade, o último disco todo tem essa característica narrativa, mas também investe em guitarras bem ritmizadas dentro de uma sonoridade que alia os cânones americanos já citados com alguma influência de R.E.M. e Wilco.

É difícil ficar alheio à música do The War on Drugs executada neste trabalho que está sendo tão bem divulgado ao redor dos E.U.A., o que confere à banda o apelido de “queridinhos da América” da vez por parte de alguns especialistas no rock de lá, talvez até por resgatarem essa potência de um som mais adulto ianque.

Em tempo: já se falam em algumas conversas de bastidores para que o grupo venha ao Brasil, mas parece ser complexo o processo ainda para este ano, não só pela inflação dos cachês por conta do súbito sucesso deles, mas também por conta da agenda cheia. Quem sabe em 2016, certo?

The War on The Drugs – Red Eyes (Ellen Degeneres Show)

Filme sobre Kurt Cobain passará em várias cidades ao redor do país

 
Inicialmente a programação era de só passar o documentário intitulado “Kurt Cobain – Montage of Heck” do diretor Brett Morgen em São Paulo e Rio de Janeiro, mas o grupo Cinemark resolveu apostar em algo mais ousado para um filme deste gênero.
 
A ideia agora é de termos sessões em Brasília (Pier 21), Belo Horizonte (BH Shopping), Curitiba (Barigui), Porto Alegre (Barra Sul), Salvador (Cinemark Salvador) e Recife (Riomar), além de São Paulo (Cinemark Eldorado e Metrô Santa Cruz) e Rio de Janeiro (Botafogo e Downtown). Tudo isso acontece entre 18 e 22 de junho em horários ainda a serem confirmados.
 
No que diz respeito aos ingressos estes poderão ser adquiridos ainda em abril por meio do sistema de internet dos sites especializados assim que as sessões forem definidas. A própria página de divulgação do filme possui um link que terá disponibilidade para acessar tais procedimentos através da aba “book tickets”.
 
O documentário, como o mundo todo tem acompanhado, mostra de maneira autorizada a vida mais íntima do maior ídolo rocker dos anos 90 e um dos maiores artistas do estilo de todos os tempos.
 
A pretensão de Brett Morgen ao realizar a pesquisa para o filme era de desmitificar o herói que alterou muitos pontos da indústria musical de sua época com um trabalho voltado para o barulho e o uso constante de gritos e distorções de sua guitarra.
 
O filme percorreu alguns poucos festivais de cinema dos EUA e estreia amanhã em circuito restrito de salas daquele país e da Inglaterra.
 
No dia 04 de maio, a HBO de lá já mostra o filme para a tv e seu sistema de streaming via internet.
 
Quem viu o filme realça que há divagações sobre a infância de Cobain em Aberdeen e um percurso até a explosão impactante de sua banda Nirvana no cenário americano e mundial. Também é falado muito sobre a forma meticulosa como o autor da produção conduz a trama documental até chegar ao trágico fim do rock star em abril de 1994, culminando no seu suicídio.
 
Na película, aparece também o período em que a banda de Kurt viaja para shows inesquecíveis na Europa e a turnê bombástica da América do Sul em 1993 com as apresentações amalucadas tanto no Rio de Janeiro (Sambódromo) quanto em São Paulo (Morumbi).
A fita tem co-produção da própria filha de Cobain, Frances Bean Cobain, e ao que tudo indica, recebeu aprovação mesmo que restrita de Courtney Love, viúva do cantor e mãe de Frances.

Trailer do filme:

Você realmente conhece Edgar Allan Poe?

Decidi realizar uma série de textos mais didáticos sobre alguns dos meus escritores favoritos por algumas razões que vão além do próprio prazer individual.

A questão é que percebo que muita gente do mundo da literatura e citada sem que o citador realmente conheça a obra do autor. Por meio de uma simples frase a pessoa simplesmente acha que já sabe tudo a respeito de um mestre do suspense, do gênero policial ou da poesia.

É óbvio que minha ideia não é a de destrinchar da cabeça aos pés estes escritores, mas pelo menos a ideia de poder mostrar um pouco de sua bibliografia, da estilística de sua escrita ou das características de seus romances faz com que as pessoas menos avisadas ou as mais jovens e ainda não conhecedoras de uma literatura mais clássica possam ir atrás de maiores informações que determinem uma melhoria de seu acervo literário.

Depois de falar um pouco acerca do grande poeta Charles Bukowski duas semanas atrás e de lançar algumas pitadas de informações sobre a Geração Beat de Kerouack e Burroughs chegou a hora de voltar alguns anos no tempo e sobrevoar a genialidade de Edgar Allan Poe.

Este americano que nasceu em 19 de janeiro de 1809 em Boston, Massachusetts ficou órfão logo aos dois anos de idade e foi enviado à Escócia e à Inglaterra para fazer seus estudos.

Por lá, já na Universidade da Virgínia, se tornou alcoólatra e grande adepto do jogo. É claro que história não é tão minimalista quanto esta, mas quem quiser saber mais a respeito procure por boas biografias do poeta tanto na internet como em livros publicados ao longo do último século.

Poe publicou seu primeiro livro de poesias em 1827. Seus poemas são pouco numerosos, mas compreendem versos de primeira classe, especialmente aquele que se tornou sua maior e mais clássica obra: o sinistro e soturno “O Corvo” acabou sendo traduzido para inúmeras línguas e foi publicado em centenas de países. Além disso, não é difícil encontrar traços dessa escrita fina e poderosa em outros textos de autores de nossa época. Anne Rice e Stephen King são dois nomes que me vêm à mente rapidamente.

Não há dúvida de que Edgar Allan Poe foi o mais romântico dos principais escritores americanos. Nas suas obras, ele não lidava com a ambiguidade minimalista entre o bem e o mal, ele apenas as apresentava como se fossem (e são) sentimentos e sensações inerentes ao homem e presentes em toda a natureza deste ser. Tampouco o autor se debruçava sobre lições de comportamento e moral. Sua crença era a de mostrar os acontecimentos e os sentimentos ofegantes humanos e se isso fosse capaz de criar a beleza e tocar a sensibilidade dos seus leitores, já era uma vitória para sua obra.

Além do famoso poema citado acima, “Os Sinos” se destaca por causa de seu tom sombrio. Por outro lado, alguns especialistas em seu trabalho preferem “Para Helena” e “Annabel Lee”, construções pouco mais complexas. É dele também o magnífico “O Gato Preto”.

Outra característica de Poe era sua ideia de beleza. O escritor dizia que nada seria mais romântico que um poema sobre a morte de uma mulher bonita. Tais tendências fazem dele um autêntico autor romântico que se aparenta em traços acentuados com Goethe.

Muitas de suas obras exploram a temática do sofrimento causado pela morte de um amante. Outra característica de sua poesia é a musicalidade, pois todas possuem um ritmo forte e profundo que poderiam muito bem ter dado certo na ópera ou no teatro de sua época. Muitas vezes essa sonoridade é promovida para ser mais imprescindível do que o próprio sentido final da frase ou verso.

Outra questão importante é a da faceta de Poe como autor de relatos que evolvem crimes de difícil solução que se envolvem de suspense e mistério. Mais do que o o escritor das sombras, da noite e do desconhecido ele também se engaja em realizar uma obra ficcional que servirá de base para a literatura noir americana do século XX.

Dessa forma, Edgar Allan Poe é considerado um possível criador do conto policial por causa de sua habilidade em montar tais histórias. Ele as planejava com perfeccionismo e demonstrava ser dono de uma eficácia ao transformar o leitor num espectador conduzido de maneira hipnotizante até que chegue ao fim da história.

Através disso também seus projetos se mostrar muito além de apenas gêneros, mas profundos relatos do ser humano e de seus temores.

Ele é autor do romance “O Relato de Arthur Gordon Pym” (que serviu de influência para Melville realizar o clássico Moby Dick) e de contos antológicos, entre eles, “Assassinatos na Rua Morgue” (que já até foi filmado para o cinema) e a coleção  “Histórias extraordinárias”. Essas e outras narrativas de terror, de mistério e policiais são marcos na história da literatura, e foram capazes de mexer com a cabeça de muita gente de talento de seu tempo e do século seguinte como Conan Doyle, Agatha Christie, G. K. Chesterton e até sul-americanos como Jorge Luis Borges, Guimarães Rosa e Rubem Fonseca, todos por motivos diferentes.

O espírito desequilibrado e sua fragilidade física e psicológica fizeram com que ele tivesse problemas em idas e vindas durante toda sua curta vida. Poe sempre levou uma vida de miséria e de desespero, que terminou da maneira mais trisste possível sendo encontrado morto muito tempo depois de ter sucumbido.

Essa vida foi, ela própria, um romance digno de seu autor contando com o sofrimento humano tanto por dentro quanto por fora e devido aos excessos alcoólicos, pôs fim a uma carreira que não foi devidamente reconhecida em vida para ganhar a imortalidade literária posterior.


Bibliografia do Autor:

Contos


Poesia


Outras Obras


Fontes de Pesquisa

http://literatortura.com/2012/04/hora-do-poema-edgar-allan-poe/

http://www.infoescola.com/escritores/edgar-allan-poe/

http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=37

Geração Beat: como esses representantes da contracultura americana mudaram a literatura mundial

 
O termo “geração beat” foi cunhado pela primeira vez quando de uma conversa entre Jack Kerouac e John Clellon Holmes a respeito das ideias introduzidas por um grupo de autores que pensavam mais ou menos parecido uns com os outros. Em 1952 Holmes publicou um artigo sobre o assunto na revista New York Times.
 
Na verdade, a origem do nome vem da expressão beaten down”, mas Jack expandiu seu significado, como criando um novo termo por meio de “upbeat”, beatfic”, ou até a expressão musical de estar on the beat”.
 
É a partir daí que uma série de autores americanos começou a ser conhecida como o Movimento Beat.  
 
O termo passou então a ser usado tanto para descrever escritores e poetas, que só tiveram maior reconhecimento em fins de 1960, mas que já tinham profícua produção literária desde 1950, quanto ao fenômeno cultural que eles inspiraram (é importante destacar que posteriormente estes mesmo escritores foram chamados ou confundidos aos beatniks, nome este de origem controversa, considerado por muitos uma forma pejorativa).
 
Algumas considerações sobre as características estilísticas e pessoais destes autores são importantes: estes artistas levavam vida nômade ou fundavam comunidades; eles também foram o embrião do movimento hippie, e até mesmo se confundiram com este movimento posteriormente.
 
Também é bom salientar que muitos remanescentes hippies se auto intitularam beatniks e um dos principais porta-vozes pop do movimento hippie, John Lennon, acabou se inspirando na palavra beat para batizar o seu grupo musical, The Beatles.
 
Portanto, na verdade, a “Beat generation”, tal como os Beatles, o movimento hippie e, antes de todos estes, o Existencialismo, fizeram parte de um movimento maior, hoje chamado de “contracultura”.
 
Mas esta é uma outra história muito mais ampla e complexa para se explicar em poucas linhas.
 
É necessário entender aquele momento americano para compreender o início da geração Beat: o contexto político e social nos EUA da época do começo temerário da Guerra Fria era bastante repressor e conservador.
 
Este grupo de jovens intelectuais, entre eles escritores, poetas, dramaturgos e boêmios em geral, cansaram-se da monotonia da vida ordenada e da idolatria à vida suburbana na América do pós-guerra.
 
Desta forma, eles resolviam a partir dali, em meio à inspiração de um ambiente permeado pelo jazz, drogas pesadas, sexo livre e o conceito de “pé na estrada”, ou para ficar mais explicado, a exploração física do território americano para, a partir disso, fazer sua própria revolução cultural através da literatura.
 
Os principais representantes deste movimento (e suas respectivas obras) foram, sem ordem de importância, Allen Ginsberg com “O uivo” (“Howl”, 1956) e “Kaddish” (1960); Jack Kerouac com “Pé na estrada” (“On the Road”, 1957); William Burroughs com “Viciado” (“Junkie”, 1953) e “Almoço Nu” (“The Naked Lunch”, 1959); Gregory Corso com “Marriege” (1960) e Gary Snyder com “Riprap” (1959).
 
A maioria destes autores era publicada pela City Lights Books, editora de San Francisco, pertencente ao poeta beat Lawrence Ferllinghetti.
 
Outra questão imprescindível para entender a literatura destes caras é observar que a tal geração beat representou a única voz dentro dos EUA a gritar contra o macartismo, aquela política de intolerância governamental introduzida pelo senador Joseph MacCarthy, que promoveu a chamada “caça às bruxas” a partir do início da década de 1940.
 
Essa política que resultou num período de intensa patrulha anticomunista, perseguição política e desrespeito aos direitos civis nos Estados Unidos durou até meados da década de 1950 e possível constatar que muitos dos  “beats” eram de uma ideologia mais voltada ao comunismo ou à esquerda como um todo, chegando a uma boa parte ter um espírito de tendência anarquista.
 
E se torna engraçado se percebermos que mesmo os comunistas ortodoxos, como Fidel Castro, por exemplo, nunca os considerou verdadeiramente esquerdistas, talvez até pelo fato de serem americanos.
 
No que diz respeito à formalidade da escrita, a poesia beat de Ginsberg, Gregory Corso e Lawrence Ferllinghetti se aproxima muito da poesia surrealista, assim como ocorre com a prosa com certo tom caótico de Burroughs.
 
Por outro lado, a prosa de “On the road”, de Kerouac, é simples e espontânea, reveste-se de uma analise politicamente corajosa e mostra que muitos poderiam exteriorizar sua inconformidade e expressar seu próprio “eu” sem serem propriamente eruditos ou rebuscados através da arte.
 
Dessa forma, o “kitsch”, a escrita mais empobrecida em comparação com outros autores contemporâneos dos beats e as suas temáticas mais situadas com um cotidiano mais cru e controverso poderiam se elevar a uma visão e ilustração sublime.
 
Estes mesmos escritores enfatizavam nos seus textos e na sua estilística um engajamento visceral em experiências e a busca de um entendimento espiritual mais profundo, (e muitos deles desenvolveram interesse inclusive no Budismo e outras ideologias orientais).
 
Assim como o poeta francês Rimbaud, muitos deles acreditavam que poderiam alcançar um “grau maior de elevação da consciência” através do desregramento dos sentidos, e a partir daí, não dispensavam o uso das drogas, em seus primórdios.
 
Essa forma de ser, agir e pensar ainda teria ecos em muitas manifestações de outras subculturas ao longo dos anos subsequentes, como o que é visto em algumas características dos punks, por exemplo.

 Resumo para entender a Geração Beat
 
As características do movimento:
– Intensidade em tudo: no estilo narrativo, nos temas, nos personagens;
– Escrita compulsiva;
– Fluxo de pensamento desordenado, por vezes caótico;
– Linguagem informal, cheia de gírias e palavrões, ou com o chamado “hip talk” (um vocabulário típico do submundo marginal da cidade de Nova York);
– Grande valorização da transmissão oral;
– Apoio à igualdade étnica, à miscigenação e às trocas culturais entre raças.
 
O Ícone
 
JACK KEROUAC (1922-1969) – Principal obra: On the Road (1957)
 
Seu mais importante livro, que viria a se tornar a “Bíblia hippie”, fala sobre sua viagem de sete anos cruzando os EUA, com descidas frequentes ao México. Kerouac o redigiu em apenas três semanas, com uma máquina de escrever e dois rolos de papel (para não ter de parar para colocar novas folhas na máquina). Seu “estilo-avalanche”, sem preocupação com pontuação e parágrafo, foi estimulado pelo uso de benzedrina, um tipo de anfetamina.

 
O Poeta
 
ALLEN GINSBERG (1926-1997) Principal obra: Uivo e Outros Poemas (1955-1956)
 
Ideólogo, pensador e agitador do movimento, ele foi também o responsável pela chamada “extensão” do beat às gerações futuras. Diz-se até que foram seus cabelos compridos, sua barba e suas batas coloridas (adquiridas em uma viagem à Índia) que teriam inspirado o típico visual dos hippies. Para compor suas poesias, provou todo tipo de droga (até distribuiu LSD nas ruas!), mas depois “viciou-se” em ioga e meditação.

 
 O Junkie
 
WILLIAM BURROUGHS (1914-1997) Principal obra: Almoço Nu (1959)
 
Foi o que mais sofreu com as drogas – passou por várias reabilitações e tratamentos. Em uma viagem ao México, tentou acertar um tiro em um copo equilibrado sobre a cabeça de sua mulher, Joan Vollmer, mas acabou matando-a. Veio à América do Sul estudar o alucinógeno vegetal ayahuasca e também iniciou (mas não completou) vários manuscritos sobre a homossexualidade.

 
O Editor
LAWRENCE FERLINGHETTI (1919-) – Principal obra: Um Parque de Diversõesda Cabeça (1958)
 
É o maior expoente vivo do beat, talvez por nunca ter levado o mesmo estilo de vida desenfreado que os outros. Sem sua coragem, nunca conheceríamos as loucuras de seus colegas: sua editora, a City Lights, publicou as principais obras do movimento. Algumas lhe deram muita dor de cabeça – ele chegou a ser preso após lançar Uivo, acusado de obscenidade.

O Rebelde
 
GREGORY CORSO (1930-2001) – Principal obra: Bomb (1960)
 
Abandonado pela mãe ainda recém-nascido, ele passou por vários lares adotivos e orfanatos até ser preso, na adolescência, por furto. Na cadeia, tornou-se autodidata e descobriu a literatura. Foi o mais jovem dos beats e, assim como seu amigo Ginsberg, que o introduziu ao grupo, tornou-se poeta.
 
Revoltado e insubordinado, Corso também chegou a ser internado em hospícios mais de uma vez.

 
Fontes de Pesquisa: