O Humor escrachado fica triste sem Fausto Fanti

images (1)

O despojamento e a espontaneidade de “Hermes e Renato” era um oásis tão grande dentro do humor brasileiro que fiz cara feia quando os caras aceitaram um contrato com a Record, pois era óbvio que não teriam o mesmo espaço para fazer o que queriam como na época da MTV.

Dito é feito: não demorou a retornarem à emissora musical e ficaram por lá até a extinção do canal no ano passado (pelo menos aquela fase anterior).

A veia cômica da trupe vinha da tradição inglesa e texto anárquico do Monty Python e dos quadros escrachados do Saturday Night Live dos anos 70 e 80.

Muito provavelmente, Fausto Fanti, humorista do “Hermes e Renato” que faleceu ontem aos 35 anos, assistiu a muitos quadros de John Belushi e Eddie Murphy na época de ouro do programa apresentado há mais de trinta anos aos sábados noturnos da tv americana.

A maior contribuição do grupo brasileiro de humor era a capacidade de inventar e de se reinventar com apenas piadas, trejeitos e cenários precários. O que valia para eles desde o início era escrachar, zoar, fazer graça com tudo o que estava por aí.

Muitas criações deles como “Merda Acontece”, “Palhaço Gozo”, “Documento Trololó” e “Brasil Mulambo” brincavam com o dia-a-dia de um Brasil real que pode ser muito engraçado tal é a inverossimilhança dos absurdos que acontecem debaixo de nossos narizes.

Fanti conseguia ser engraçado apenas ao vestir uma peruca e até mesmo com textos curtíssimos que facilitavam o improviso e a atuação debochada e exagerada, algo que podia ser uma influência do próprio “Casseta e Planeta”, que surgira na TV um pouco antes dos caras do “Hermes e Renato”, também cariocas.

Até mesmo o sucesso alcançado com o “Massacration”, banda inventada para satirizar os grupos de Heavy Metal pelo mundo afora foi algo espontâneo, visto que a coisa ficou tão séria a ponto de possuírem fãs assíduos. Isso também era uma piada pronta já que eles criticavam justamente esse endeusamento a esse tipo de banda.

Fausto Fanti, junto com seus amigos de grupo Adriano, Marco Antônio Alves (Hermes) e Felipe Torres (Boça), já tinham feito algumas incursões de esquetes durante a Copa do Mundo para o Fox Sports e se preparavam para lançar um novo programa no Canal FX em março de 2015.

Hoje começa a festa literária de Paraty. Um viva a Millör

download (6)

Tem início hoje a 12ª edição da FLIP (Festa Literária de Paraty) com uma homenagem especial ao escritor Millör Fernandes.

Já no primeiro dia haverá uma entrevista dos integrantes do “Casseta e Planeta” Hubert e Reinaldo com Jaguar, na qual Millôr será o tema principal. O evento intitulado “Millormaníacos” ocorre às 19 horas.

Mas não é só de livros que o leitor viverá durante os dias frescos em Paraty. Há a programação de diversos shows de cantores nacionais ao final de cada dia.

Já hoje, Gal Costa, logo após a entrevista com os Cassetas, se apresentará às 21h30, no que está sendo chamado de primeiro show de abertura da história da FLIP sem que haja cobrança de ingresso.

O negócio perdura até dia 03 de agosto, mas amanhã já tem alguns outros destaques.

Por exemplo, tem o debate entre prosa e poesia, logo ao meio-dia entre a jornalista Eliane Brum e o humorista Gregorio Duvivier que prometem um acalorado debate sobre suas preferências literárias.

Outra oportunidade é ver o arquiteto Paulo Mendes da Rocha e o historiador de arquitetura italiano Francesco Dal Co participando da mesa “Paraty, Veneza no Atlântico Sul”, evento que acontece às 19h30.

Já na sexta, na Casa Folha, 17h, André Barcinski, em companhia do músico Guilherme Arantes, participa de uma conversa sobre seu novo livro “Pavões Misteriosos: 1974-1983: a Explosão da Música Pop no Brasil”.

Logo em seguida, o paquistanês Mohsin Hamid se envolve na discussão literária na mesa “Livre Como um Táxi” que acontece sexta às 17h15. O escritor falará sobre seu “Como Ficar Podre de Rico na Ásia Emergente”, que não saiu ainda no Brasil.

Ainda na sexta, às 20 horas, Marcelo Rubens Paiva falará na FlipMais, sendo parte da programação da Casa de Cultura do festival literário para que haja posteriormente o encerramento do dia de debates, às 21h30, com Cacá Diegues e Edu Lobo discutindo o tema “2x Brasil”.
No sábado, penúltimo dia de programação, já às 10h30, o humorista Reinaldo e o cartunista Chico Caruso participam da continuação do FlipMais e à noite, no horário das 20h, o ator britânico Tim Crouch encena a peça “Noite de Reis”, em homenagem aos 450 anos de Wiliam Shakespeare.

O final de semana de Paraty termina com Fernanda Torres sendo a principal estrela do debate “Romance em Dois Atos”, a partir das 12 horas de domingo.

Como sempre, muita coisa ficará de fora da agenda de quem for à Flip e neste ano há um sério inconveniente com relação ao alto custo de hospedagem já que os empresários da localidade fluminense tiveram muito prejuízo com a expectativa não confirmada da Copa e despejam todas as esperanças do ano no festival literário.

Independente disso, ainda é possível aproveitar o tempo e se deleitar com os dias em que o sopro das letras e do debate de ideias ventará mais forte pelo litoral do Rio de Janeiro.

Veja a programação completa da FLIP no site oficial do evento: http://www.flip.org.br/

O Anima Mundi está por aí. Ainda dá tempo de ver

cover-festival-16001

Já acontece desde o dia 25 de julho com promessa de empolgar o público até o dia 3 de agosto, no Rio de Janeiro, a 22ª edição do Anima Mundi, considerado por críticos especializados o maior festival de animação das Américas.

Neste ano, com uma gama de 418 filmes, oriundos de 47 países diferentes, entre curtas e longas-metragens, serão exibidos durante o festival.

Há uma divisão de cinco mostras competitivas. São elas: Panorama, Portifólio, Curtas, Longas e Galerias.

Além disso, há a oportunidade de conferir cinco mostras que não participam de nenhuma competição: Futuro Animador, Olho Neles, Panorama Internacional, Animação em Curso e Longa-metragem Panorama.

Junto às exibições de filmes, o Anima Mundi promove exposições como a dedicada ao filme “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, vencedor do Festival de Annecy de 2014 e debates com os diretores Eric Goldberg, Bob Balser e Fréderic Guillaume, em alguns dias do festival.

Fora as rodadas de negócios e o estúdio aberto, no qual os cinéfilos podem realizar atividades para criar uma animação própria com a ajuda de monitores contratados pelo festival.

Elas estão separadas entre quatro locais diferentes: no Centro Cultural Light, na Fundição Progresso, no Espaço Itaú de Cinema Botafogo e no Oi Futuro Ipanema. Algumas sessões são gratuitas e outras têm ingressos no valor de R$ 10, com meia-entrada a R$ 5.

O Anima Mundi segue posteriormente para São Paulo, onde acontece de 6 a 10 de agosto, num único local, o Espaço Itaú de Cinema Augusta.

Acompanhe a programação completa pelo site do evento: http://www.animamundi.com.br/

Putrefação

images

Morte e desespero
Entre a flecha e a injeção fatal
Tudo flui ao que tudo indica.
Tudo em dicas,
Difamação;

Plenitude de direitos
Violados por meio de lacunas impuras
Impugnável reflexo.
Olhos roxos,
Hesitação;

Surpresa, arrepio da lei.
Arreio do cedro
Compilados pelo abstrato.
Dedos lisos,
Fornicação;

Pobreza de espírito,
Sopro do inverno desmaculado.
Frígido frigir dos ovos
Sucumbindo ao odor,
Fixação;

Ao século bastardo
Basta a roupa do corpo.
Corruptela da palavra mínima,
Assombro de clarividências,
Detecção;

Arroubo de sorte,
Lista de corpos irremediáveis.
Brisa de veraneio que finalmente chega
Ao relento da gripe,
Absorção;

Peste imprevisível
E alcoolismo que consome
Deveras perigoso na mente.
Criadouro de poluente,
Recriação.

O que aprender sobre as prisões arbitrárias no Brasil

download (5)

Muito já se falou sobre as prisões de ativistas que vem acontecendo ultimamente no Brasil.

Hoje, em artigo especial para o UOL intitulado “Prisão de ativistas só serve para saciar a fome de vingança de setores raivosos”, o desembargador do Tribunal de Justiça e coordenador da Associação Juízes para a Democracia Siro Darlan põe um pouco mais de luz sobre a questão.

Não é uma opinião definitiva sobre o assunto (nunca uma opinião o é), mas também não é apenas um comentário de facebook.

Trata-se de um dos maiores especialistas em liberdade de expressão do país, um defensor da análise profunda e isenta dos processos para que não aconteça um absurdo como esse da prisão dos ativistas no Rio.

Não se poderia passar pelo tema da necessidade atroz do estado em aprisionar as pessoas pelo simples fato de reclamarem do governo sem que Siro Darlan seja ouvido.

A argumentação do magistrado para que fosse concedido Habeas Corpus aos previamente acusados pelo Estado do Rio de Janeiro colocou novamente os pingos nos “is” da justiça brasileira.

É incrível o silêncio que tomou conta de juristas, advogados e promotores de justiça a respeito da falta de critério utilizada pelos membros do governo que pediram a prisão preventiva de pessoas que tinham sobre seus ombros apenas a acusação de que iriam participar de manifestações ainda durante a Copa do Mundo realizada no país.

Ora, diante de situação tão non sense não podia ser verossímil que o negócio progredisse por um dia que fosse. Mas progrediu! O que importava era calar aqueles que estavam contra o governo.

Entenda bem, “contra o governo” e não “contra o Estado de Direito”.

Quem está contra o estado de direito é exatamente o governo do Rio e alguns representantes da Justiça.

Portanto, maior ainda do que a mudez dos magistrados nacionais foi o silêncio sepulcral da imprensa dessa nação. Que não fizesse nada a dona Globo ou os mega-empreendimentos jornalísticos, tudo bem. Mas que a imprensa mais independente (será que ainda existe isso?) ficasse fazendo cara de paisagem era mais esquisito ainda.

Nem o PSOL, nem os outros partidos mais à esquerda se posicionaram mais fortemente, com exceção honrosa a alguns comentários e atitudes do Deputado Jean Willis.

Do PT nem falo nada, já que esta agremiação anda de braços dados com a absurda aliança de Cabral, Pezão e seus asseclas, mas do PSDB nada ecoou, nem que fosse algum comentário infeliz só para ser contra o partido de briguinha deles.

Enfim, a atitude de Siro Darlan ao se posicionar bravamente contra o avanço de atividades ditatoriais dentro de um verdadeiro Estado Democrático demonstra que o que faltava até agora era alguém simplesmente ter coragem.

E é por meio dessa covardia intelectual que está tomando conta do Brasil que vamos levando a vida, pois o que tem interessado para a imprensa é aquilo que bate em Chico, mas que pode bater em Francisco (ou para ficar mais explícito, o que pode bater em Dilma, Aécio, Lula, ou FHC, quem sabe?!).

A luta pelo livre direito de se manifestar não deveria ser da classe estudante ou de uma parcela pequena da população. Esta deveria ser a ideia cravada na mente de todo mundo que mora dentro deste país.

A necessidade de se expressar deveria estar no âmago de qualquer canal de mídia ou imprensa, de qualquer partido ou movimento social.

Pelo jeito, as pessoas não gostam mesmo é de ser incomodadas por qualquer coisa que modifique sua rotina diária, seja por atrapalhar o trânsito ou por fazer barulho, o que importa é que ninguém gosta mesmo é de se sentir fora do caos organizado que a cidade proporciona e que o governo assina embaixo.

Ai de você se fizer uma manifestação por melhoria de condições no transporte público. O coro mais ouvido pela população será o de que “estão incomodando quem não tem nada a ver com isso”. Pois é, ninguém usa transporte público, certo? Mas voltando à realidade, mesmo quem não usa deveria se preocupar com a melhoria do referido serviço público.

Mas o preferível é permanecer na zona de conforto do que ter de lutar, todos querem revolucionar, mas ninguém quer ir para a frente de batalha para evoluir.

Paciência!

Enfim, o artigo de Siro Darlan vem em boa hora num país que já passou da hora de se indignar com a cessão de direitos dos cidadãos.

Ou paramos um tanto de nossa vida medíocre para dar um grito de vez em quando ou perdemos pouco a pouco esse direito de expressar nossa raiva e nosso descontentamento com o governo (qualquer que seja ele) e o desgoverno de seus malfadados feitos assim como suas maléficas ações corruptas.

A seguir, o link do artigo completo de Siro Darlan: http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/07/28/prisao-de-ativistas-so-serve-para-saciar-a-fome-de-vinganca-de-setores-raivosos.htm

Sem João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Suassuna cresce uma lacuna na cultura brasileira

download (4)

As últimas semanas têm sido especialmente cruéis para a classe pensadora e literária do Brasil.

A morte de João Ubaldo Ribeiro na semana passada (18) já havia sido um baque sério no que diz respeito ao movimento criativo de nossa nação, pois pesava sobre os ombros do autor baiano a escrita que vira e mexe era avaliada como uma herdeira da forma de Jorge Amado escrever, bem como também da comprovada riqueza estilística de romances como “Sargento Getúlio”, “O Sorriso do Lagarto”, “A Casa dos Budas Ditosos”, “Diário do Farol” e “Viva o Povo Brasileiro”.

A carreira literária de mais de cinquenta anos de Ubaldo Ribeiro se misturava com sua paixão pela música e sapiência com que publicava suas crônicas para inúmeros jornais ao longo dos anos. Uma perda irreparável que parecia ser a mais sentida para o ano em que a Bienal do Livro volta a São Paulo.

Não passaram 24 horas para que o arregalar dos olhos dos amantes pela boa escrita se marejassem novamente. Foi no dia 19 que Rubem Alves sucumbiu ao problema que já vinha lhe debilitando a parte física havia alguns anos.

Infelizmente, o psicanalista, pesquisador da área da educação, teólogo e profícuo escritor já não fará mais as provocações que realizava com relação ao mundo educacional brasileiro.

Rubem Alves podia ser meio utópico numa grande parte das coisas que discutia, mas ainda possuía a qualidade de debater sobre temas que são relegados ao último plano neste país que não liga a mínima para a melhoria da Educação.

Dessa forma chegamos a uma nova semana atordoado por essas duas perdas, mas a principal delas ainda estaria por vir.

Eis que ontem Ariano Suassuna teve seu descanso final confirmado.

O Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como “Auto da Compadecida”, “O Romance d’A Pedra do Reino” e o “Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”, foi um dos maiores defensores da cultura do Nordeste do Brasil, além de ter sido secretário da Cultura de Pernambuco nos anos 80.
Além disso, era um palestrante genial que falava manso, mas que possuía opiniões fortes e contundentes. Um verdadeiro frasista e autor de passagens inesquecíveis na história da literatura nacional.

Vão-se, portanto, três grandes nomes de nosso círculo cultural e a reposição se torna impossível de ser realizada.

Uma pena que os homens se extinguem, mas um alento saber que suas obras prosseguirão para sempre.

A Bela e o Fera: A doidinha Miley e o talentoso Pharrell

download (3)

Não é de hoje que venho aprovando a mudança de rota da ex-Disney Miley Cyrus.

E menina amalucada é um pouco mais do que isso, senão não teria tido vida muito longa nos estúdios do Mickey Mouse e nem teria feito sucesso entre crianças e adultos nos últimos anos.

A última guinada musical com o disco Bangerz (2013) e a posterior turnê homônima também comprovaram a capacidade de talento da garota para cantar e para provocar polêmicas, afinal de contas ninguém é de ferro, não é mesmo?!

Pois bem, depois de chamar ao seu palco o igualmente maluco, mas infinitamente mais gênio, Wayne Coyne (Flaming Lips) para cantar o clássico “Yoshimi Battles the Pink Robots e aparecer todo dia na página do Facebook dando beijinho em algum de seus cachorros, a menina se aventura agora numa outra parceria que aparenta ser certeira em todos os sentidos.

O novo Midas da música pop americana, Pharrell Williams lançou ontem o vídeo para “Come get it Bae” que conta com a participação de várias garotas fazendo caras e bocas para o cantor. Uma dessas tietes é justamente Miley, ajudando no refrão e que parece ter se divertido ao participar do filme.

Pharrell, por sua vez, continua colhendo os louros pela ótima participação no último álbum do Daft Punk e pelo sucesso da trilha sonora de “Meu Malvado Favorito 2”.

“Come get it Bae” é uma das faixas do disco “G I R L”, lançado pela Columbia Records em março deste ano e seu primeiro trabalho solo desde “In my mind”, de 2006.

Um caso típico de unir o útil ao agradável: Miley surfa numa nova onda que está fazendo bem a ela e à sua carreira e Pharrell aproveita o sucesso de seus hits para se manter na mídia pela qualidade de seu som. Tudo isso sem necessitar de apelos que outros colegas do rap realizam. O cara é show!

Veja o vídeo abaixo: